Para o transporte de cargas, os terminais dão prioridade para importações e exportações de animais e produtos perecíveis
Iniciada às 0h de quinta-feira (20) e programada para durar dois dias, a greve dos aeroportuários não alterou a rotina da maioria dos passageiros que utilizaram os terminais de Brasília, Campinas (Viracopos) e Guarulhos (Cumbica). Nos três aeroportos, que devem ser concedidos à iniciativa privada, o número de voos atrasados ou cancelados é semelhante, por exemplo, ao da quinta-feira passada, data em que não houve paralisação.
Até o fechamento desta reportagem, os dados da última atualização da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), às 17h, apontavam a seguinte situação: em Brasília, dos 134 voos domésticos programados, dez estavam atrasados e nove foram cancelados. Em Campinas, dos 80 previstos, um estava fora do horário programado e três foram suspensos. Em Guarulhos, do total de 172 viagens, 14 aeronaves atrasaram para decolar e seis voos foram cancelados.
De acordo com o Sindicado Nacional dos Aeroportuários (Sina), os trabalhadores pedem que a Infraero continue no comando das "atividades-fim" dos aeroportos. Entre elas, a operação, segurança, carga e navegação aéreas, controle de tarifas e manutenção, e engenharia especializada. Além disso, querem ser incluídos nas discussões dos editais de concessão dos terminais e reivindicam estabilidade nos cargos.
Segundo o diretor de administração da Infraero, José Eirado, a paralisação teve adesão de 25% a 30% dos aeroportuários ? número que pode diminuir ou aumentar a cada troca de turno. Mas, segundo Eirado, a situação está dentro da normalidade. Ele disse à Agência CNT de Notícias que os atrasos e cancelamentos de voos são resultado de outros fatores - relacionados ao funcionamento das companhias áreas -, sem nenhuma relação com a greve.
Para não causar transtornos aos passageiros, Eirado informou que a Infraero elaborou um plano de contingenciamento para minimizar o impacto da paralisação. Em alguns casos, houve deslocamento de funcionários da área gerencial ou administrativa para a linha de frente dos aeroportos, ou seja, aquelas que têm contato direto com os passageiros e poderiam prejudicar embarques e desembarques.
Cargas
Mesmo sem alterar a rotina dos usuários, a paralisação prejudicou o transporte de cargas em alguns terminais, principalmente em Viracopos, considerado o maior polo cargueiro do Brasil. A estimativa é que 800 toneladas estejam paradas nos armazéns do aeroporto, onde 50% dos aeroportuários aderiram à paralisação. Somente produtos perecíveis ? vacinas, por exemplo ? e animais recebem prioridade.
Em Guarulhos, a orientação para liberar - com maior urgência - essas cargas foi a mesma. No entanto, segundo o setor responsável, o quadro é mais tranquilo porque a maioria dos importadores e exportadores tinha conhecimento prévio da paralisação e se organizou para despachar os produtos na próxima semana.
Negociações
Apesar dos pequenos transtornos, o diretor da Infraero avalia o quadro com tranqüilidade. "O plano traçado funcionou muito bem. Outro ponto positivo foi a atitude civilizada dos grevistas, que permitiu a ocorrência de tudo dentro dos padrões, sem prejuízos aos nossos clientes", destacou Eirado.
Segundo ele, a situação deve voltar completamente ao normal no sábado. Além disso, adiantou, o canal de diálogo com os funcionários continua aberto e mais discussões, para chegar a um consenso, devem acontecer na próxima semana.
Fonte: CNT
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