O segmento ferroviário está a todo vapor. No setor de passageiros urbanos os investimentos anunciados somam valores da ordem de R$ 50 bilhões, destinados à expansão do sistema metroferroviário nos próximos anos, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, por conta dos mega eventos esportivos de 2014 e 2016. Para o setor de carga, o Programa de Expansão Ferroviária propõe o redesenho de 11.800 km da malha ferroviária, com o objetivo de criar pontes entre zonas de produção e centros de processamento, consumo e portos brasileiros.
O barulho é tamanho que até mesmo a sempre morosa máquina do governo foi obrigada a se mexer. Mudanças no marco regulatório decretadas em meados deste ano corrigiram distorções que produziam desperdícios absurdos, como os mais de 5.500 km de linhas desativadas e subutilizadas apontadas em mapeamento que está sendo feito pela ANTT - Agência Nacional de Transporte Terrestre. O objetivo é simples: exigir que as concessionárias recuperem e ativem tais trechos ou devolvam à União, com ou sem indenização, conforme estiver as condições das vias.
"Até agora, o resultado tem sido promissor. Mais de 3.700 km de linhas consideradas improdutivas receberam propostas de reativação", comemora Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência. E não para por aí. A partir de janeiro de 2012, entram em vigor duas outras alterações do marco: a que define metas para cada trecho de ferrovia e a permissão para que usuários adquiram suas próprias composições, pagando direito de passagem às concessionárias que diante da demanda deverão manter a alimentação, condução e abastecimento da linha.
É uma mudança importante, na medida em que quebra o monopólio das concessionárias sobre a malha, atrai novos investidores e estimula a interoperabilidade. No quesito colocar a mão no bolso, o recém publicado Plano Plurianual de 2012 a 2015, chamado Plano Mais Brasil, reserva R$ 35 bilhões para o setor ferroviário e coloca o modal como segundo no ranking de investimentos, onde o rodoviário fica com R$ 59 bilhões e as hidrovias, R$ 2,8 bilhões.
Graças a esse cenário, a indústria ferroviária registrou um crescimento de 30% no ano de 2011, com a produção de 5.700 vagões de carga e 113 locomotivas, respectivamente 75% e 65% de crescimento em relação a 2010. "A redescoberta do modal metroferroviário levou a indústria a registrar um faturamento de R$ 4 bilhões contra os R$ 3,1 bilhões de 2010", comemora Vicente Abate, presidente do Simefre - Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários.
O executivo ressalta que os investimentos da indústria metroferroviária dos últimos anos elevou a capacidade instalada para a fabricação de 12 mil vagões por ano. Da mesma forma, a partir do ano que vem, a indústria será capaz de fornecer 250 locomotivas por ano, por conta da instalação da nova fábrica de locomotivas da Progress Rail, a segunda fábrica no país, braço ferroviário da Caterpillar, na cidade mineira de Sete Lagoas.
Embora o volume de 330 carros metroferroviários tenha ficado aquém das expectativas, os fabricantes esperam dias melhores considerando os já anunciados investimentos em mobilidade urbana. Para isso, a manutenção do PSI-Programa de Sustentação do Investimento no ano que vem, como previsto no Plano Brasil Maior, é considerado imprescindível.
Crescer e expandir
Carga de retorno
Pequena e poderosa
Redação: Solange Hette
Foto(s): Agência Vale
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