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Passo a passo



publicado em: 11/11/2011

Há um longo caminho a percorrer. Para se ter uma ideia, se no Brasil um operário de armazém ainda não é tão valorizado como na Europa ? lá não custa menos de 15 euros por hora, cerca de R$ 45,00 - o cenário indica que estamos caminhando para isso. Graças ao desequilíbrio entre o acelerado ritmo de crescimento brasileiro, que aumenta a demanda por mão de obra qualificada, e o descaso com a formação praticada no país há várias gerações.

Além disso, o simples ato de levar uma mercadoria de um ponto a outro exige inúmeros processos internos, do recebimento à identificação, pesagem e cubagem da carga até a entrega, muitos deles tão mecanizados que a automação acaba se tornando um diferencial bastante atraente. Por conta disso a TNT, uma das maiores empresas globais de entrega expressa, vem investindo pesado na automação de suas unidades no Brasil.

O processo foi gradativo e começou com o uso da identificação por etiquetas com códigos de barras, que são lidas por scanners, aparelhos de leitura ótica que converte imagens e textos em arquivos que podem ser transferidos para o computador. No transporte internacional, as etiquetas usam a tecnologia bidimensional, capaz de armazenar mais informações do que apenas um número de referência. Até o ano que vem 100% da carga passará pelos scannings, os dispositivos que lêem os códigos e informam a localização e os dados exatos não apenas da carga como de quem, quando e onde a carga foi ou está sendo manipulada.

A tecnologia móvel atual - smartphones, ipads etc - faz toda a diferença na movimentação interna, lembra o executivo. Ele cita pesquisa realizada pela IBM que aponta que até 2013 haverá um exército de 1,3 bilhão de trabalhadores móveis no mundo, 35% da força de trabalho movida a tablets, notebooks, smartphones e o que mais for inventado.

Depois que a subsidiária brasileira da TNT implementou e colheu os frutos do uso de celulares para gerenciar e monitorar as informações de coleta e entrega, o modelo se espalhou por todas as unidades da TNT global. "Fomos pioneiros dentro da TNT", orgulha-se Fabiano Fração, diretor de TI e responsável pelo processo de automação da empresa.

Os resultados do uso de tecnologia de ponta e da instalação de um grande sorter foi auspicioso. Os tempos de descarga e conferência caíram quatro vezes, de quatro horas para apenas uma, ou seja, o tempo de processamento diminuiu nada menos que 75%. Assim, o uso de esteiras semi-automáticas de movimentação interna, auto propulsionadas, aumentou a eficiência operacional das operações além das expectativas.

Atualmente, os dois principais terminais de carga da companhia, localizados na cidade de São Paulo e em Campinas, o maior centro distribuidor do interior paulista, se encontram em um estágio avançado de automação. Esses verdadeiros hubs possuem linha direta com praticamente todas as regiões atendidas, envolvem mais de 300 rotas e movimentam quantidade superior a 30 milhões de volumes/ano, que circulam por sistemas de sorteamento de Campinas e São Paulo.

O hub do bairro paulistano da Vila dos Remédios foi o primeiro a ser inaugurado. Instalado em uma área de 14 mil m2, aproximadamente dois campos de futebol, o sorter tem o formato de um "L" para adaptar à estrutura já existente.

A estrutura metálica rolante tem 28 saídas e seu diferencial, segundo Fração, é o fato de o equipamento ficar suspenso a 2,5 metros do chão, o que permite o aproveitamento do espaço embaixo da plataforma para outras atividades importantes. "Enquanto o sorteamento do volume expresso é feito em cima, a carga paletizada é tratada embaixo", explica.

Já no terminal de Campinas a configuração do sorter é diferente, de acordo com a planta predial. Lá ele está instalado em linha reta, num layout mais tradicional, e conta com 36 saídas. Ambas as estruturas têm capacidade para selecionar cargas do mesmo perfil, com a capacidade projetada para pesos unitários de até 35 kg, a uma velocidade média de 9 km/hora, sendo que um tem a capacidade 12% maior que o outro.

O sorter de Campinas processa 8 mil volumes/hora, enquanto o de São Paulo cherga a 7 mil volumes/hora. As tecnologias empregadas em cada terminal também são de origem diferente: a primeira é holandesa e a de São Paulo é espanhola. "Além do sorter propriamente dito, existem as técnicas complementares, como leitura de volume em movimentações internas no armazém, unitização e atualizações de status através do celular", explica Fração.

Os resultados não deixam margem a dúvidas. Atualmente, o processo de descarga e separação de carga demora cerca de 40 minutos contra a média de seis horas que demandava o processo manual.

Apesar de fato raro neste tipo de operação, quando algum erro ocorre ele não interfere na velocidade do processo. Quando isso acontece, automaticamente o volume é encaminhado para uma esteira reservada onde um funcionário operacional rastreia o problema para sanar o que o causou. No sorter, o percentual de roteirização errada é menor que 0,1% e a redução de erros operacionais por perdas ou encaminhamento errado caiu em cerca de 70%.

Redação: Solange Hette
Foto(s): Divulgação


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