10:34

+ logística / reportagens

Via láctea



publicado em: 01/09/2011

Maior cooperativa de leite do país melhora qualidade de seus produtos com a seleção do caminhão correto para a coleta de leite in natura


Os últimos anos têm revelado à Iveco a importância de uma forte estrutura de desenvolvimento de produto tendo em mira o cada vez mais numeroso plantel de nichos de mercado também cada vez mais especializados e profissionais.

Para se ter ideia, nos últimos anos a demanda por veículos especiais tem crescido fortemente e já alcançou 3.682 unidades, outras 1.500 unidades devem deixar a linha de montagem de Sete Lagoas, MG. Por isso, um ano e meio atrás, a Iveco inaugurou um negócio específico para área.

No que depender de vocação está tranquila: quem comanda o Centro de Desenvolvimento da empresa é Renato Mastrobuono, o engenheiro que praticamente inaugurou a era de ouvir os anseios do transportador no Brasil e, evidentemente, traduzir esses pedidos em demandas para a engenharia de desenvolvimento.

"Em apenas 18 meses os PVE ? Pedidos de Veículos Especiais, já representam 15% das vendas totais da Iveco", calcula Helen Lúcia M. de Lúcio, gerente da Plataforma de Veículos Especiais da montadora. Ela explica que, apesar de os veículos especiais custarem entre 10 a 30% mais que um caminhão normal de linha de montagem, a eficiência destes veículos compensa com folga o investimento.

"Os ganhos da empresa vão desde a vida útil do produto, o baixo consumo de combustível, as condições ideais para o motorista, a minimização dos custos operacionais e produtividade e rentabilidade para a empresa", elenca Helen.

Ou seja, é um bom negócio para ambos os lados. As incógnitas são dadas pelo usuário e a solução é buscada pela engenharia da Iveco. Um dos casos mais emblemáticos entre os muitos já resolvidos pela PVE, departamento que faz parte do Centro de Desenvolvimento do Produto da montadora em Sete Lagoas, MG, é o da CCPR ? Cooperativa Central dos Produtores Rurais, cuja marca Itambé está presente em toda rede de supermercados do país.

A demanda dos dirigentes da companhia de laticínios não era coisa simples de resolver: no melindroso serviço de coleta de leite in natura nas zonas de produção, a cooperativa aspirava por um caminhão valente para vencer estradas de terra com firmeza e mostrar desenvoltura no asfalto para chegar rápido à usina beneficiadora de Sete Lagoas. Tudo isso para incrementar a produtividade e elevar ainda mais a qualidade dos produtos derivados.

Robutez, força, economia e confiabilidade deveriam fazer parte do cardápio para satisfazer o cliente, a Vic Logística, empresa de Contagem com frota de 488 veículos, e o embarcador, as cinco fábricas da Itambé. Equipes de engenharia saíram a campo para acompanhar de perto a severidade daquele tipo de serviço e como resolver cada problema para chegar a um veículo que oferecesse a máxima eficiência. Soluções que levassem o veículo a resistir ao árduo serviço com folga, sem falhas.

Uso misto
Assim, passo a passo, foi sendo montado o quebra-cabeça que levou à customização de um modelo Iveco Tector 170E25, especialmente para o serviço. A fábrica da Itambé em Sete Lagoas processa 1 milhão de litros/dia atualmente, embora sua capacidade seja de até 1,8 milhão de litros/dia.

Essa matéria prima resulta em produções diárias de 420 toneladas de leite condensado, 125 toneladas de leite em pó, 25 t de doce de leite, 70 t de creme de leite e 100 t de leite evaporado, aquele creme que americanos e europeus juntam ao café.

Segundo Tarcísio Provezano Costa, gerente Industrial da Itambé em Sete Lagoas, por motivos logísticos e de higiene, a unidade industrial tem que ser não só uma beneficiadora de leite, mas também uma fábrica de latas de vários tamanhos para embalar os produtos finais ? são lotadas nada menos que 1.200 latas por minuto! Por mês, a quantidade chega a 14 milhões. "Esse cuidado é fundamental para evitar a contaminação das embalagens na manipulação e transporte. Aqui o processo todo é automático e estéril", diz.

A evolução do transporte de leite in natura, pode-se dizer que é a alma do negócio. Do romântico tempo dos latões, que eram deixados pelos pequenos produtores rurais sobre bancadas de madeira na frente da porteira da fazenda, no final do século passado, a coleta passou a ser feita em tanques e na virada do século já era feita por tanques graneleiros.

Hoje, a coleta granelizada já é profissionalizada ao máximo. Na fazenda, os proprietários, que produzem em média entre 220 e 250 litros/dia, já dispõem de tanques resfriados e os caminhões rígidos tanques que fazem a coleta, como os Tector 170E25 têm bombas de sucção para 40 mil litros/hora e tanques de 9 mil litros de capacidade. Resultado: o transit time foi diminuído ao mínimo, a velocidade média aumentou significativamente e os processos de limpeza estão muito mais rápidos.

Nada de manteiga
Na situação anterior, que se estendeu por toda primeira década do século, a coleta granelizada ainda era muito empírica. A frota não homegeneizada, as rotas caóticas e os tempos sofríveis, fazendo muitos, entre 4 a 7%, dos carregamentos chegarem ao destino como 'manteiga'.

Sem brincadeiras, segundo Juliano Antonio Nogueira Silveira, gerente de Operações de Leite da Itambé, até 7% do leite era invalidado na situação anterior, motivo de muitas dores de cabeça para a indústria e para o produtor, que só sabia nos dias seguintes se seu leite havia sido aceito ou não e o quanto iria faturar.

Na nova situação tudo mudou. Para garantir resistência em estradas sem pavimentação e de alto grau de severidade, os caminhões receberam pneus de uso misto, para-choque de ferro semelhante ao utilizado na versão 6x4 do Tector; protetor de radiado e um pré-filtro para suportar a intensidade da poeira, poupar e otimizar o filtro de ar normal do veículo, aumentando também o índice de disponibilidade.

Para chegar a este ponto é preciso saber que, entre 2005 e 2006, de 200 a 250 transportadores faziam o serviço de coleta de maneira caótica, com muitas falhas de padronização na faceta transporte, que provocavam problemas para os produtores: erros de documentação e ineficiência nos testes de qualidade do produto posto na usina. Os tanques dos caminhões eram de 8 mil litros e as bombas tinham capacidade de 4 ou 5 mil litros/hora de sucção, causando morosidade crescente nos carregamentos e produzindo atrasos em cascata.

Pois é, trabalhar com produto perecível não é coisa para quase profissionais. As chegadas na usina precisam obedecer a um padrão rígido, da mesma forma que a coleta deve cumprir horários estreitos, cronometrados. "A eficiência plena chegou nesta nova fase, com um incremento muito grande de qualidade dos nossos produtos", diz Silveira.

Os veículos são todos rastreados via satélite, com roteirização rígida e conseguem atender a mais de 30 produtores por dia. Essa foi a razão da encomenda de 46 unidades do Tector e da intenção de compra de mais 24 unidades quase para já.

Resultado: a rota média de 200 quilômetros é cumprida em 4 horas, 2 a menos que na situação anterior e a eficiência da operação deu um grande salto: os 22 veículos empregados na coleta da região de Sete Lagoas na situação anterior foram substituídos por apenas 16 tanques rígidos, ou seja, 27% a menos, e a quilometragem rodada baixou de 180 mil km/mês para 130 mil km/mês.

"As observações dos nossos engenheiros de campo nos levaram a fazer customizações imperativas ao sucesso do PVE (Pedido de Veículo Especial)", lembra Helen. A intervenção mais importante, para ela, foi a instalação de um pré-filtro, para que o veículo suportasse a poeira levantada nos caminhos de terra. Outras modificações atingiram os ângulos de ataque e fuga do caminhão, houve o levantamento do para-choque para 70 centímetros do solo, cerca de 20 cm além do normal, e o reposicionamento do entre-eixos. Tudo feito para que o veículo não tenha nenhuma dificuldade em vencer as estradas rurais.

A potência dos motores, 250 cv, garante a velocidade média e os detalhes do chassi e do implemento asseguram a eficiência da operação. Os bancos, por exemplo, são mais anatômicos e usam tecidos laváveis, condição básica para operar no segmento; o farol é mais elevado.

Enfim, é o que se pode chamar de operação limpa. O leite tem que viajar 200 quilômetros com sua integridade totalmente preservada para gerar os melhores derivados possíveis. Resolvido este problema, decerto a equipe de Helen deve estar entretida na resolução de outros tantos problemas.

A empresa
A CCPR ? Cooperativa Central dos Produtores Rurais, que produz a marca Itambé, reúne nada menos que 31 cooperativas e estas cerca de 8,5 mil produtores de leite nos estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo. No total, os cooperados da Itambé enviam, diariamente, 3,1 milhões de litros de leite in natura para as cinco fábricas processadoras, onde o volume de leite é transformado em mais de 100 produtos diferentes. As unidades industriais da CCPR ficam em Sete Lagoas, Guanhães, Pará de Minas, Uberlândia e Goiânia.

Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Pedro Bartholomeu


Ver todas as notícias

Comentar sobre esta notícia
Nome:
Comentário:



Ver todos os comentários

Autor do comentário: Celso Wadson
Comentado em: 27/10/2011
Comentário: Eu olhando no video na fenatran os caminhoes a maioria num mudo nada o iveco so mudo o painel o nome e a grade frontal num teve tanta novidade igual de carro eo mercedes mudou a grade eo international conceito


redes sociais
facebook
twitter
youtube
flickr
fale com a revista
fale conosco


© 2003 - 2012. Revista Negócios em Transporte. Marca registrada da Tudo em Transporte Editora Ltda. Todos os direitos reservados.