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A nau dos insensatos



publicado em: 01/07/2011

Não é a toa que apenas 15% das estradas brasileiras são asfaltadas e 85% permanecem de terra, transitáveis com sorte e tempo seco. Em certo prédio da esplanada dos ministérios em Brasília, que grandes letras metálicas anunciam ser o Ministério das Comunicações e Transportes, uma obra de Niemayer, de fato transporte e logística são coisas de menos importância que os "puxadinhos, as licitações de obras, boa parte delas inacabadas ou mal executadas, superfaturadas e todas as maracutaias adjacentes. Os problemas no Ministério dos Transportes não são de hoje, não. O último técnico a pisar naquele edifício foi o engenheiro Cloraldino Soares Severo, que de lá saiu pela porta da frente em 14 de março de 1985. Foi o tocador da BR 364, entre outras grandes obras. De lá para cá, o que vimos foi um desfile de políticos e mais políticos, sempre atrás de um palanque, de uma escada para alcançar algum governo estadual. A dupla Alfredo Pereira do Nascimento, insistente candidato ao governo do Amazonas, e Paulo Sergio Passos, seu eterno interino, domina aquela passarela desde março de 2004. Deu no que deu. A culpa, aliás, nem é deles, é da falta de sensibilidade da presidência mesmo, que rebaixou a pasta dos Transportes a um simples e tenebroso espaço de barganha política. Justo um Ministério que em qualquer país desenvolvido do mundo é um dos mais estratégicos, uma pasta que envolve a segurança e a saúde econômica do país. Sempre é dele a missão de abrir e manter caminhos para o progresso, diminuir custos e otimizar o abastecimento da Nação. É uma prioridade desde o Império Romano. Neste meio de ano, mais de uma dúzia de demissões e uma anunciada "limpeza" geral foi anunciada para a nossa versão de Ministério. Me engana, que eu gosto. Se o ministério continua feudo de um partido político, então podemos esquecer as soluções, que elas não virão tão cedo. A generalização de problemas de infraestrutura nos portos, aeroportos, hidrovias, rodovias e dutovias vem sendo construída há muito tempo. Fazer as coisas entrarem nos eixos é que serão elas. Pode ser o técnico mais sério do mundo, mas se tiver uma bandeira política, "forças ocultas" sempre vão se sobrepor aos interesses maiores. Que o Ministério dos Transporte deixe de ser político.

Redação: Pedro Bartholomeu


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