"Colocar o carro na frente dos bois" é um ditado popular desde os tempos do Império. Entretanto, mesmo que repetido bilhões de vezes por muitos brasileiros, alguns deles parece que não assimilaram a lição. É exatamente o caso do prefeito de São Paulo, que não se cansa de ampliar as restrições à circulação de caminhões na cidade, dando de ombros para a importância da transposição do município para a movimentação de mercadorias e suprimentos em geral para todo o país. "O carro na frente dos bois" porque a maioria da frota de 75 mil caminhões que passa diariamente pela marginal do rio Tietê não tem alternativa possível. Os veículos ou estão se dirigindo ou baldeando de um eixo rodoviário para outro, dentro da perversa logística brasileira, que faz a maior parte das cargas sair de São Paulo e outra parte volumosa apenas atravessá-la. A medida é precipitada na medida em que todos os esforços deveriam estar voltados para a conclusão do rodoanel Norte, que interligará as mais importantes rodovias que se iniciam ou são "quebradas" pela metrópole paulista. Sem opção, os caminhões perdem meia manhã e meia tarde para dar espaço aos automóveis não só nas marginais, mas também em vários dos mais importantes eixos viários da capital. Assim, depois do centro expandido, agora o prefeito inventou o horário de pico estendido, encurtando o "dia" dos caminhões em 8 horas, coisa que certamente terá reflexos em toda a cadeia de cargas de transferência e de distribuição por consequência. E o transportador entra em 2012 com veículos entre 10 a 15% mais caros, um diesel também 6 centavos mais valorizado na versão D50 e um ritmo de crescimento mais arrefecido da economia para encurtar as chances de repasse. De qualquer maneira, os motoristas de carros de passeio estarão um pouquinho mais satisfeitos com o alcaide, que está se lixando com o "pão nosso de cada dia", que com certeza sairá mais caro nas padarias.