Nos bastidores da Fenatran, a segunda maior exposição de veículos comerciais de cargas do mundo, uma grande interrogação pairava sobre as cabeças de dez entre dez empresários: que impacto terá no mercado a invasão de novos e poderosos competidores?
Apesar da falta de importância que os grandes produtores brasileiros deixam transparecer, alguns novos fabricantes são de muito respeito, senão a maioria. Os caminhões da holandesa DAF, propriedade do grupo americano Paccar, representam a terceira marca em vendas na Europa, enquanto os leves da chinesa Foton, fazem parte do portfólio da maior montadora de caminhões do mundo e os da Sinotruk provém de linhas que produzem 200 mil pesados por ano, marca que o Brasil não chegou, somando todas as categorias.
No ano em que a MAN brasileira comemora os 30 anos da Volkswagen Caminhões e Ônibus, é de se espantar a velocidade com que essas montadoras decidiram instalar fábricas no país, com certeza impulsionadas pelo anúncio do exagerado aumento das alíquotas de IPI. Algumas novas competidoras bateram na mesa, esbravejaram, protestaram severamente ? dizem até que o anúncio do aumento do IPI pegou um grande carregamento de caminhões de uma delas no meio do Pacífico ? e tudo o mais, mas para o caro leitor, ou melhor, o caro transportador nada melhor poderia ter acontecido, apesar do aumento cavalar de preços dos caminhões Euro 5. "Pelo menos não vamos mais ficar na mão de ninguém", exaltava um frotista. Touchè.
E, embora da boca para fora, as nossas grandes montadoras digam estar tranquilas, as três grandes anunciaram vultosos investimentos em ampliação de capacidade de produção e abertura de novos mercados. Muito bem, esperamos que depois deste susto inicial, os preços arrefeçam daqui para frente, aproximando-se um pouco dos preços internacionais, como reza a sagrada lei da oferta e da procura.
Redação: Pedro Bartholomeu
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