A entrada em vigência de uma regulamentação da jornada de trabalho de motoristas profissionais é mais que urgente. É uma atitude de preservação do transporte rodoviário de cargas e não deve ser mais adiada. É uma maneira de iniciar uma repintura da má imagem tanto do motorista como do próprio caminhão na convivência automotiva cotidiana. Quem assiste aos telejornais matutinos e aos programas jornalísticos das emissoras de rádio sabe muito bem disso. Todos os dias ocorre um verdadeiro massacre da imagem do segmento em todo país e nada se faz quanto a isso, o que está reforçando ainda mais a injusta pecha de que o caminhão é o grande culpado por todos os males do trânsito nosso de cada dia. O estresse de mais de 12 horas de jornada de trabalho de muitos motoristas, o que os predispõem a cochilos, em ambos os sentidos, é ainda agravado por uma frota antiga e mal cuidada, que expõe os veículos a quebras contínuas e leva o condutor a perder o controle do veículo em caso de emergência. Muito tem-se falado dessas necessidades em seminários e congressos, mas as soluções não têm passado das mesas dos conferentes à pratica. Tanto assim que a idade media da frota dobrou nos últimos 30 anos, período no qual tantos "estudiosos" surgiram palestrando enésimas soluções que nunca se provaram efetivas. Neste período, a jornada de trabalho também aumentou muito, junto com a evolução dos controles feitos pelas empresas. A esperança é que haja uma regulamentação eficiente neste sentido e que a qualidade da formação dos motoristas também progrida, com a massificação de instituições como o Sest/Senat, Fabet etc. É sempre bom lembrar que o condutor de veículos pesados ainda sai para as ruas e estradas sem ser testado, na prática, em situações de emergência.