11:18

+ rodoviário / carga / reportagens

A maior frota do mundo



publicado em: 01/02/2011

A grande São Paulo reúne a maior frota do mundo de ônibus urbanos de 15 metros do mundo, mais de 400 carros, que mostram muita eficiência


São Paulo, quem diria já pode pleitear mais um recorde no Guiness Book: o de maior frota de ônibus urbanos de 15 metros do mundo. São mais de 400 unidades distribuídas pelas concessionárias da região metropolitana, que escolheram o veículo como um dos mais rentáveis.

Quem mais batalhou pela implantação do conceito de ônibus de 15 metros no Brasil foi Wilson Pereira, o gerente executivo de Vendas da Scania. Não foi uma tarefa fácil, pois, por muito tempo a autorização esteve bloqueada, parte em razão do lobby dos concorrentes, parte pelo ineditismo da proposta.

Na Suécia a configuração já trabalha há mais de 20 anos sem problemas, porém a maior parte dos carros está operando em serviços rodoviários. Em regiões urbanas, segundo Pereira, a grande São Paulo, de fato, detém a maior frota de 15 metros do mundo.

"Essa configuração realmente é muito flexível e eficiente", diz ele. E parece que esse "jogo de cintura" do compridão é fato. Se a valeta da oficina foi feita para convencionais ele cabe, se foi para articulado, lógico, também se ajeita sem problemas.

O melhor mesmo é o alívio que a configuração tem dado nas despesas mensais quando o empresário compara o carro com um articulado de 18 metros. Menores custos e carga praticamente igual é lucro certo. Isso sem falar que os articulados sempre têm um detalhe bem complicado entre as carrocerias: a rótula central. Uma grande geradora de manutenções não programadas, que azedam o humor de qualquer empresário quando observa catracas paradas.

Na realidade, a diferença entre as duas configurações é de três metros, aproximadamente, o mesmo diâmetro da rótula central dos articulados, um lugar que positivamente não é o preferido pelos passageiros.

A diferença dos custos de manutenção entre o 15 metros e o articulado também pode ser explicada pela lógica. Enquanto o 15 metros é um veículo rígido, o articulado pode ser considerado como uma composição formada por dois ônibus.

Bom de passageiro
Na formatação da planilha comparativa, produto importante é a economia de custo de 20% nos pneus ? dez no articulado e oito no 15 metros. Sob esse aspecto, outro acerto é o posicionamento do eixo direcional atrás do eixo motriz (6x2*4), que segura o balanço traseiro e distribui melhor o peso do trem de força, aliviando o eixo dianteiro, um problema geral e irrestrito de todos os modelos de ônibus, um veículo comercial onde é a carga quem escolhe o lugar.

Os chassis de ônibus de 15 metros foram apresentados para valer na última Expobus, em 2001, aquela realizada no parque de exposições Imigrantes, em São Paulo. De lá para cá o três eixos caíram no gosto dos grandes empresários paulistas.

"Já temos uma frota rodante de mais de 400 carros", calcula Wilson Pereira, digamos o "pai" do 15 metros no Brasil. Licença daqui, legislação dali, foi ele quem pos a cara para bater diante do desdém de muita gente. Hoje, a configuração obteve a confiança dos empresários do urbano de passageiros.

A diretoria da Metra Sistema Metropolitano de Transportes do grupo ABC, de São Bernardo do Campo, SP, empresa que detém 57 unidades do compridão aprovou a configuração. Na Metra a introdução dos veículos de 15 metros na frota foi uma grata surpresa para os empresários. E, mais importante, os resultados vem não de qualquer comparativo com a configuração de 13,2 metros, mas com os articulados de 18 metros.

O diretor Comercial da empresa diz que a Metra testa nada menos que 23 tipos de tecnologia para selecionar a que mostre melhor desempenho em termos de custos e que, ao mesmo tempo, apresente baixo nível de emissões. No momento a companhia compara trólebus, elétricos híbridos, diesel padrão 15 metros, ônibus a etanol e a hidrogênio.

A Metra é concessionária do governo do Estado de São Paulo para o corredor Metropolitano ABD São Mateus-Jabaquara (desde 1997) e a extensão Diadema-Brooklin. Transporta 7 milhões de passageiros. Seus ônibus rodam 1,5 milhão de quilômetros por mês.

O interessante é que a empresa não cuida apenas da operação, mas também da manutenção e administração das vias e de nove terminais, sinalização, jardinagem e da comercialização de bilhetes, pois não opera com cobradores.

A companhia opera com um total de 265 carros, dos quais 81 são trólebus e 57 são chassis Scania de 15 metros ? no grupo, que entre outras empresas conta com a SBCTrans e a Himalaia, a configuração já soma quase 100 unidades. A história desses carros na Metra já tem 10 anos, mais intensamente a partir de 2007, com a nova série de chassis da Scania.

A surpresa é que os 15 metros carregam mais passageiros, ou no mínimo empatam com os articulados de 18 metros. "O custo-benefício desses carros é muito melhor", diz João Carlos Barbosa, chefe de Garagem da Metra. Com ipk melhor e menos problemas de manutenção, o 15 metros virou preferência na empresa entre os veículos diesel.

O investimento com esse tipo de ônibus é 25% menor do que com articulados de 18 metros e este último tem um custo operacional cerca de 30% superior. Para se ter ideia, o custo de instalação de ar condicionado mostra a diferença: enquanto no articulado a instalação do ar central custa R$ 60 mil, no carro de 15 metros o ar fica em R$ 25 mil.

"Procuramos explicações sobre o seu desempenho (em ipk) e a mais plausível foi a de que os passageiros esperam o 15 metros por ser mais confortável", diz. Todos os carros de 15 metros têm piso baixo e caixa automática, além de excepcional raio de giro. A consideração é válida porque ambos os coletivos trafegam em corredores exclusivos.

A economia é ainda mais flagrante quando o assunto é consumo de combustível. Enquanto os 15 metros apontam para um consumo de 1,55 até 1,65 km/l, os articulados, por sua vez, gastam entre 1,15 e 1,30 km/l. A despesa mensal com diesel é calculada entre R$ 7 mil e R$ 7,5 mil/carro. E isso porque a velocidade media do corredor ABD é excelente, chega a 27 km/h. "O mais interessante é que o 15 metros tem raio de giro muito bom para o seu comprimento", diz Fernando Belarmino, chefe de Tráfego da Metra.

Todo o sucesso dos ônibus de 15 metros no corredor ABD (alusivo às cidades de Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema) e São Paulo, e a extensão Diadema-Brooklin, possivelmente se deve também ao conforto proporcionado pelas carrocerias Caio Millenium, com ar condicionado e a caixa automática, além, é claro, do chassi piso baixo.


Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Pedro Bartholomeu


Ver todas as notícias

Comentar sobre esta notícia
Nome:
Comentário:



Ver todos os comentários

Autor do comentário: Antonio Natal
Comentado em: 18/01/2012
Comentário: É valido a visão dos onibus de 15 metros, pois todas estatistica e empresa tem, e sabe o que é melhor, eu já vejo que os de 18 metro já perdem na cabina do motorista, em formas de dificuldade de manobras, um eixo a mais co pneus e lonas de freio, a estatistica é quem manda e dá a exatidão.


redes sociais
facebook
twitter
youtube
flickr
fale com a revista
fale conosco


© 2003 - 2012. Revista Negócios em Transporte. Marca registrada da Tudo em Transporte Editora Ltda. Todos os direitos reservados.