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Ciclo virtuoso



publicado em: 01/10/2011

Fabricantes de motores mostram soluções para atender à nova legislação de emissões com engenhos mais potentes e limpos


Nunca antes na história da indústria automotiva do país o tema meio ambiente esteve tão em pauta. A evolução tecnológica dos equipamentos de transporte acarretada pela legislação que traz a Euro 5, também chamada no Brasil de Proconve 7 ou P7, para dentro das linhas de produção das montadoras e para o sistema operacional das transportadoras, vai muito além do cumprimento estrito da Lei. Os novos motores tiveram elevado seu patamar tecnológico e carregam no bloco a nova consciência ambiental.

E é na 18ª Feira Internacional do Transporte, uma das três maiores feiras do setor de transporte do mundo, que o resultado dessa busca pelas melhores soluções estará exposta nas vitrines das montadoras. Vale lembrar que apenas três montadoras utilizam motores de terceiros: Agrale, Ford e Man, que são supridas pelas fabricantes independentes de motores, Cummins e MWM International.

O pacote de soluções da Cummins Brasil, por exemplo, abrange toda a gama de produtos desenvolvidos para atender as normas Euro 5, ou P7, do filtro de ar ao sistema de pós-tratamento, passando pelo motor, catalisadores, turbocompressores e até o Arla 32.

Para isso a empresa enxergou a necessidade de integrar todas as suas unidades de negócios que serão geridas por uma única estrutura. Agora, sob o guarda-chuva da CES - Cummins Emission Solution estão os motores, os sistemas de combustíveis, os sistemas de filtração e turbo que integram as soluções para a redução de emissões.

Os produtos que compõem a linha CES foram desenvolvidos ou aprimorados para a tecnologia SCR - Selective Catalytic Reduction, o sistema que elimina o NOx emitidos durante a combustão, que são neutralizados pelo Arla-32, um composto de ureia técnica dissolvida em água. Aqui vale um aparte, a opção por investir no sistema SCR, em detrimento ao EGR - Exhaust Gas Recirculation ou Recirculação dos Gases de Escape é resultado de testes realizados pela Cummins em mais de 200 motores, totalizando mais de 50.000 horas ou 2 mil dias em operação.

Os resultados comprovaram que tanto em consumo de combustível quanto no quesito Densidade de Potência (potência/cilindrada) o sistema SCR teve desempenho 10% maior que o EGR. E quando se fala em manutenção estendida o SCR ganha disparado, o intervalo entre manutenção, o SCR se mostrou 50% mais barato que o sistema concorrente.

Até mesmo o Arla-32, o agente redutor líquido automotivo essencial para que o sistema SCR funcione, será fabricado e distribuído pela divisão de filtros da Cummins. Com o nome de Fleetguard Arla 32 será comercializado pela Cummins Filtration em embalagens de 5, 10 e 20 litros e também a granel, de 200 e 1000 litros. "Essa foi a maneira que encontramos de garantir que a escolha pela Cummins traga realmente a solução completa para o cliente", Luis Chain, diretor de Vendas e Marketing.

No que diz respeito aos motores, a Cummins escolheu três versões já utilizadas no mercado e as incrementou para receber a tecnologia Euro 5. O modelo ISB 4, para caminhões e ônibus, aumentou em 15% sua cilindrada, de 3,9 para 4,5 litros e ganhou mais potência, passando de 172 cv para 210, 22% a mais em relação a versão anterior.

A nova versão do ISB 6 saiu dos 5,9 litros para 6,7 litros e de 274 cv para 304 cavalos, respectivamente um incremento de 14% e 11%. Já o ISL de 8,9 litros, projetado pela engenharia da Cummins, tem potência de até 405 cavalos e é considerado a evolução do ISC de 8,3 litros e 324 cv.

Densidade
Entre os modelos de motores eletrônicos que chega pela primeira vez no mercado brasileiro está a linha ISF, nas versões 2.8 High Speed Diesel e 3.8, de 4 cilindros, ambos dirigidos a pick-ups, comerciais leves, caminhões e ônibus de até 9 toneladas. Destinado a operações que exigem maior potência e bom custo-benefício, o ISM de 11 litros oferece até 440 cv de potência.

Na Fenatran a MWM apresenta as três opções SCR, como o MaxxForce 3.2 H ? Euro 5 de 4 cilindros e potência de 160 cv, atendendo uma gama diversificada de veículos, como caminhões leves, miniônibus, pick-ups, SUV?s e Vans. A MWM International também é licenciada para produzir os motores MAN EGR.

O MaxxForce 7.2H tem as opções de 4 e 6 cilindros no sistema cross flow - com 4 válvulas por cilindro. Foi projetado para oferecer desempenho com eficiência no consumo de combustível e baixo custo de manutenção. Equipado com sistema de injeção common rail com 1.800 bar é aplicável a caminhões leves, médios e pesados, microônibus e ônibus.

O desempenho superior exigido pelos caminhões pesados e extrapesados, além de ônibus é oferecido pelo MaxxForce 9.3 H, também Euro 5. Graças ao sistema EVRT ? um turbo compressor eletronicamente controlado e o exclusivo freio motor Logic Brake integrado ao cabeçote do motor. Possui 6 cilindros em linha, sendo 4 válvulas por cilindro, com injetores centrais e verticais, potência de 392 cv e densidade de potência de 31,4 kW/l.

Mas para a MWM International o Euro 5 já é caso resolvido e dá o primeiro passo rumo ao Euro 6. Desenvolvido durante dois anos, a fabricante expõe na Fenatran sua solução para o nível de emissões exigido para a próxima etapa da legislação, programada para entrar em vigor a partir de 2016. O protótipo é um MaxxForce 3.2H Euro 6, equipado com um catalisador com filtro fechado para diminuição do material particulado. A tecnologia é uma combinação do sistema EGR com a tecnologia NPF, um filtro de partículas de NOx que, por sua vez é resultado do sistema de pós-tratamento SCR com um filtro de partículas de diesel - DPF na sigla em inglês.

Conforme testes desenvolvidos pelo Centro Tecnológico da MWM International, o propulsor Euro 6 reduz em cinco vezes a emissão de NOx e em duas vezes o MP (material particulado). Se abastecido com o combustível de S10 o motor proporciona redução de consumo no combustível, redução no abastecimento de ureia e melhor performance de emissões", explica Domingos Carapinha, gerente da Divisão de Desenvolvimento do Produto.

Com estes novos desenvolvimentos, a serem introduzidos em todas as família dos motores MaxxForce até 2016 no Brasil, a MWM pretende ampliar sua linha de produtos e ser uma das principais bases de desenvolvimento de propulsores globais. Os motores MaxxForce 3.2H e 7.2H na versão Euro 6 já têm contratos de fornecimento para a Coreia do Sul.

A empresa estima encerrar o ano de 2011 com 150 mil motores produzidos. Segundo o executivo, foi o melhor resultado da empresa em 58 anos de operação, que contabilizou um crescimento de 5% em relação a 2010 e 30% de participação de mercado.

Redação: Solange Hette
Foto(s): Divulgação


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