Os resultados do balanço da empresa indicam um crescimento de 51%, com uma receita líquida de R$ 3,7 bilhões e lucro líquido de R$ 249,5 milhões, 85% superior a 2009. Esses robustos números, no entanto, não são suficientes para ter a real dimensão do crescimento do grupo.
"Apesar de brilhante, não é um crescimento perene, pois os patamares de 2009 foram muito baixos", lembra Astor Schimidt, diretor Corporativo e de Relações com Investidores da Randon. Por isso, o executivo recomenda o comparativo com o excepcional ano de 2008 para confirmar que o desempenho de 2010 é motivo mais do que suficiente para comemorar.
A receita líquida de R$ 3,7 bilhões de 2010 é 22% superior a 2008 e o lucro líquido de 2008 foi superado em 8%. "Os resultados demonstram que a gestão está preparada para superar crises", diz David Randon, diretor-Presidente da Randon.
A renúncia fiscal somada aos incentivos na esfera de financiamentos, especialmente o PSI - Programa de Sustentação de Investimentos foram os principais atores para o crescimento de 52,5% na produção total das 63.753 unidades, das quais 59.284 unidades destinadas ao mercado doméstico. Com 32,18% de participação no mercado de rebocados, das 24 mil unidades produzidas, 19 mil foram para o mercado interno.
"Por definição estratégica e por convicção de que o Brasil tem um enorme potencial mais de 85% de nossa atividade é devotada ao mercado brasileiro", afirma Schmitt. Porém, o executivo lembra que o mercado externo agrega valor e economia de escala, além de ser indicador seguro de competitividade e almofada para amortizar movimentos bruscos da demanda interna. Assim, as empresas registraram um crescimento de 50,6% nas exportações de 2010, consolidando US$ 240 milhões.
Um resultado muito bom a despeito das dificuldades com o câmbio e custo Brasil, entre outros, puxado principalmente pela forte retomada de demanda no Mercosul e Chile que, somada à Nafta, detém 67% das exportações das empresas. Com 15% de participação, fruto de operações industriais de montagem subcontratadas, vem a África. A América do Sul e Central e a Europa e outros dividem os restantes 17%.
Proporcionalmente, o desempenho da divisão de vagões é de encher os olhos, considerando que apenas em 2005 a Randon entrou nesse mercado altamente concentrador. Com apenas 3 compradores, ALL, MRS e Vale, em 2007 a produção foi de zero vagões. Partindo desse patamar, registrou uma produção de 82 vagões e em 2009, o crescimento foi de 314,6%, com 340 unidades. Em 2010, a produção nacional foi de 3.300 unidades, das quais 989 unidades foram fabricadas pela Randon, registrando 191% de crescimento sobre 2009. Ou seja, um espetacular crescimento acumulado de 1.106% em dois anos.
A instalação de um novo ERP (Enterprise Resouce Planning), sistema de informações que integrará as 15 plantas fabris (6 fora do Brasil), centros de distribuição e escritórios internacionais (R$ 30 mi). Entra na conta também, com R$ 30 milhões alocados, o início da construção da unidade produtiva em Resende, no Rio de Janeiro, para atender de forma sistêmica ao principal cliente montador da Randon, a Man Latin America. "A unidade permitirá uma melhor logística, mais eficiência e produtividade da operação", conta David.
Para suportar esse crescimento, as empresas Randon apostaram na criação de 2 mil novos postos de trabalho, 20% superior a 2009.
As perspectivas para 2011 são mais conservadoras. Até porque, a acomodação natural após um súbito crescimento indica volumes estáveis e indicadores financeiros mais baixos. De qualquer forma, o grupo Randon tem como meta manter o patamar médio de 18% de crescimento registrado nos últimos 15 anos. "Isso é muito mais que um crescimento chinês, porque é sólido e consistente", conclui Schmitt.
Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação
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