11:29

+ rodoviário / carga / reportagens

Em novo patamar



publicado em: 01/04/2011

Setor de implementos cresce de maneira sustentável graças ao boom econômico e briga por uma posição no ranking mundial


O balanço de 2010 divulgado pela Anfir ? Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, registrou um crescimento de 47,87% sobre 2009. Graças ao aquecimento da economia em geral, ao bom desempenho da agroindústria, especialmente cana e grãos, e aos setores de mineração e construção civil e pesada.

Para atender à demanda, o setor fabricou cerca de 170 mil unidades de reboques, semirreboques e carrocerias sobre chassis contra as 115 mil de 2009, resultando em um faturamento de R$ 6,8 bilhões em 2010. Um desempenho considerado muito bom comparado ao ano de 2009 e 29% superior ao excepcional ano de 2008.

Claro que tendo como base 2009 não é difícil ter um resultado de encher os olhos. Naquele ano, o mercado trabalhou na base do susto e muitos colocaram o pé no freio com tanta força, que dificultou as manobras para a rápida retomada. Foi assim, por exemplo, com a indústria de pneus que acabou por se configurar um dos grandes gargalos do setor de implementos. Neste quesito, segundo Rafael Wolf, presidente da entidade, a escassez de pneus já não é mais um grave problema, desde que não se faça muitas exigências em relação a marcas e modelos.

Desempenho
De qualquer forma, pela primeira vez a indústria brasileira tem condições de brigar pela quinta posição no grupo dos cinco maiores fabricantes de implementos do mundo. Para se ter uma ideia, os EUA, líder mundial no ranking de implementos, fabricavam em média 280 mil pinos/ano. Com a crise caiu para 110 mil unidades, enquanto as primeiras 100 mil unidades da indústria brasileira só foi registrada em 2007. "Hoje o mercado brasileiro é mais de 50% maior que o americano, quando no passado era cinco ou seis vezes menor", avalia Wolf.

Além da safra recorde, aumento do poder de compra, demanda aquecida e investimentos públicos em infraestrutura para suportar o desenvolvimento econômico foram os principais motes do bom desempenho. Mas não é só de números macros que a indústria de implementos reflete a prosperidade econômica do país. É possível perceber que a mudança de crescimento nas famílias de produtos espelha um setor de transporte mais profissional, que aplica princípios logísticos para otimizar a operação, elevar a produtividade e a rentabilidade. Coisa de primeiro mundo.

Prova disso é que mesmo que o graneleiro continue sendo o produto mais comercializado (18.723 unidades em 2010), o crescimento dos basculantes como opção ao transporte de grãos tem mostrado uma evolução bem significativa. Este passou de 4.536 unidades em 2009 para 9.453, em 2010 - um crescimento de 108,4% contra 37,56% do graneleiro padrão. Na ponta do lápis, a perda por derramamento de grãos nas estradas e rodovias compensa o investimento em um implemento específico.

No total, em 2010 a linha pesada (reboque e semirreboque) teve um crescimento de 46% em relação a 2009 (59.252 versus 40.509 unidades, respectivamente) - se comparada às vendas de 2008 foi de apenas 9%, refletindo os altos e baixos da economia. "Mal corrige a inflação dos últimos dois anos", avalia Wolf, que enfatiza o fato de que não são de altos e baixos que se constrói uma economia sustentável a médio e longo prazo.

Já a linha leve, carroceria sobre chassis, tem demonstrado um desempenho mais consistente, 48% em um ano e 44% em dois. Graças a uma sistemática mudança no perfil de consumo dos brasileiros, especialmente nas regiões centro-norte e nordeste, e o movimento de instalação de bases de distribuição próximas ao mercado consumidor.

Embora o Brasil continue sendo o líder latino nas exportações de implementos e tenha registrado um crescimento de 41,26% em relação a 2009, o resultado é 36,95% menor que em 2008, mais de 7 mil unidades contra as 4,5 mil de 2010. Fruto do enfraquecimento da economia internacional sim, mas agravado pela alta carga tributária brasileira que mina a competitividade e, principalmente pela taxa de câmbio desfavorável que encarece o produto nacional no exterior, especialmente comparado aos produtos chineses.

"Isso é uma desvantagem no mercado internacional e uma ameaça ao mercado interno, já que historicamente não há indústria nacional forte se não tiver como competir no mercado externo", afirma Wolf. Até 2007 os principais mercados para os produtos brasileiros, além da América do Sul, eram a África do Sul e Oriente médio. Hoje, a América do Sul continua liderando, mas a perda de alguns países, como o Chile, para o produto chinês já é uma realidade.

Segundo o executivo, a produção no Oriente Médio e África, inclusive por fabricantes brasileiros instalados nessas regiões, chega a custar 50% do valor do produto nacional. E a perda só não é maior, porque a base de produção brasileira nesses países existe há mais de 25 anos, incluindo uma sólida assistência técnica local, o que os chineses ainda suam para conseguir. Mas, é só uma questão de tempo, já que uma coisa puxa a outra.

Confiança
No quesito câmbio, o empresariado não espera muitas novidades para 2011, uma média de R$ 1,70. O que deve ajudar é a recuperação do mercado externo e a voracidade do consumo asiático que permitem apostar em um crescimento de 45% ou 6.500 unidades.

No mercado interno, a estimativa para 2011 é de um crescimento de 8%, com produção de 188.500 unidades e um faturamento de R$ 7 bilhões, 3% superior ao ano passado. Sendo que, 4,5% para os reboques e semirreboques, um segmento mais fácil de ser mensurado, uma vez que 90% desse mercado é concentrado em praticamente 10 fabricantes.

Já a pulverização da produção de carrocerias sobre chassis, espalhada por mais de 1.000 fábricas, não permite uma estatística tão certa como na linha pesada, mas acredita-se em um crescimento de 8% sobre o ano de 2009.

Tais estimativas se baseiam em uma inflação de 5,5%, taxa Selic de 12,50% e um PIB de 4,5%. "Enquanto tivermos uma divída pública que corresponde a 40% do PIB não há como apostar em grandes crescimentos, porque alguém tem que pagar a conta de gastar mais do que arrecada", alerta Wolf.

Enquanto isso não acontece, o setor considera fundamental contar com incentivos fiscais, como a isenção do IPI e os financiamentos via PSI - Programa de Sustentação de Investimento. Tanto que a recente ameaça de suspensão do mesmo provocou uma queda de 20% na expectativa de crescimento para 2011, uma vez que 80% das vendas do setor é financiado pelo programa.

Apesar de ter sido apenas um susto, logo em seguida saiu a prorrogação até dezembro de 2011, a terceira etapa do PSI veio acompanhada de alguns ajustes como a elevação da taxa de juros de 8% para 10%. '"O cenário hoje não é o paraíso, mas nos dá condições de trabalhar", finaliza Wolf.


Redação: Solange Hette
Foto(s): Divulgação


Ver todas as notícias

Comentar sobre esta notícia
Nome:
Comentário:


redes sociais
facebook
twitter
youtube
flickr
fale com a revista
fale conosco


© 2003 - 2012. Revista Negócios em Transporte. Marca registrada da Tudo em Transporte Editora Ltda. Todos os direitos reservados.