Em tempos de mercado aquecido e concorrência acirrada, o transporte eficiente torna-se requisito fundamental para elevar a competitividade das empresas. Para isso, não basta transportar. Tem que inovar, desenvolver projetos customizados, compartilhar soluções, investir em equipamentos, tecnologia, treinamento e tudo o mais que eleve a produtividade de um dos setores que mais tem crescido nos últimos anos, a indústria automobilística.
Com essa filosofia de trabalho, há mais de 50 anos o Expresso Nepomuceno protagoniza cases de sucesso nesse setor. Entre eles, encarou uma proposta desafiadora: reduzir o transit time do transporte de bancos automotivos, garantindo o abastecimento em just in time da linha de montagem de uma grande montadora brasileira com linha de montagem em Minas Gerais.
Em 2004, quando foi chamada a participar da concorrência, o just-in-time da operação exigia a utilização de 17 caminhões trucados. Seis anos depois, o Nepomuceno transformou-se num dos principais elos da cadeia logística entre fornecedor e cliente, e operando com apenas metade dos veículos.
E não foi só isso, a empresa também conseguiu reduzir em uma hora o tempo de carga e descarga dos produtos. O projeto é uma parceria entre fornecedor, transportadora e cliente. "O gerente de logística do fornecedor teve a idéia e precisava de um operador experiente e disposto a investir nela", conta Siomara Santos Andrade, há 10 anos na gerência da filial mineira da transportadora em Betim, uma das 17 filiais da empresa.
Encontrou o parceiro certo. Nascida na cidade mineira de Nepomuceno e depois transferida para o distrito industrial de Lavras, MG, para atender a fábrica de amortecedores da antiga Cofap, hoje Magneti Marelli (do grupo Fiat), são mais de 50 anos de know-how no setor automotivo.
Graças a essas iniciativas, a Nepomuceno tem crescido em média 35% ao ano nos últimos cinco anos, expandindo sua atuação para outros setores econômicos, como o de transporte siderúrgico, madeira, químicos e mais recentemente, sucroalcooleiro.
No setor automotivo, seu carro-chefe, evoluiu para acompanhar as necessidades e o alto grau de exigência dessa indústria, expandindo sua atuação do simples transporte para gestão de estoque à logística interna e operações de milk-run e JIT. Por isso, não teve dúvidas em abraçar a inovação para alcançar os objetivos do novo cliente.
Detalhes, a diferença
Após realizar o dimensionamento da altura, peso e comprimento os caminhões trucados foram substituídos por tocos alongados. "Como os bancos não são muito pesados não requer um caminhão com mais eixos", explica Andrade a respeito da escolha mais adequada.
As carroçarias, implementadas com double-decks, permitiram reduzir de 15 para 8 a quantidade de caminhões utilizados na operação diária. Só com a seleção do caminhão e do implemento certos, os custos com o frete foram significativamente reduzidos. No entanto, o pulo do gato estava por vir: a instalação de elevadores nos implementos, permitindo a redução do tempo de carga e descarga dos produtos e, consequentemente, a otimização do abastecimento da linha de montagem dos veículos.
Tudo acontece assim: quando os veículos chegam às baias de descarga da montadora, esteiras automáticas recebem a carga arrumada no piso inferior do caminhão. Em seguida, através de uma caixa de comando instalada na parte externa da cabine, o motorista aciona o elevador que, através de um sistema de roletes desliza o piso superior ao nível das esteiras para completar o descarregamento.
O sistema, desenvolvido com exclusividade por uma empresa especializada, dispensa o uso de qualquer outro equipamento de movimentação de carga. Com uma média de 70 viagens por dia, os elevadores contam ainda com motores resistentes para aguentar os movimentos repetitivos de sobe e desce da plataforma.
O elevador estruturado em três compartimentos, ao invés de inteiriço, eleva a resistência do equipamento aos movimentos naturais do veículo. Siomara conta que somente o primeiro elevador foi produzido sem considerar esse detalhe, por isso foi o único a sofrer modificação nesse quesito, após quatro anos de atividade.
Há um ano e meio os equipamentos ganharam uma trava de segurança em cada banco, para evitar a queda durante o transporte ou carga e descarga da mercadoria. Uma medida na busca do dano zero. "Estamos sempre buscando a evolução dos processos, dos equipamentos e, principalmente na segurança".
Atualmente, a montadora em questão fabrica 2.900 veículos por dia e a Nepomuceno realiza aproximadamente 1.850 viagens e transporta 42 bancos em cada uma delas. Isso é o dobro da capacidade apresentada pela operação há seis anos, quando a empresa assumiu a operação. O percurso completo (ida e volta) tem 15 quilômetros de extensão e é realizado em uma hora e vinte minutos, contemplando a carga e descarga das bandejas. A velocidade média é de 60 km/hora.
Eficiência é o alvo
Porém, nem tudo depende de equipamentos. Afinal, o sistema JIT é baseado em prazo de entrega enxuto ao ritmo da linha de montagem, exigindo que os giros dos veículos não ultrapassem o tempo máximo de uma hora e meia, sob risco de comprometer toda a operação. Daí exigir processos logísticos dinâmicos e colaboradores treinados e comprometidos.
"Nenhum equipamento sozinho sustenta uma operação tão enxuta como essa", diz Siomara. Os constantes treinamentos dos motoristas e dos demais colaboradores do Nepomuceno contam com instrutores altamente experientes, que realizam avaliações mensais dos colaboradores.
Um desses treinadores, Gelbert João Batista, tem oito anos de casa e é responsável por todos os treinamentos e vistorias dos veículos. Eduardo Valentim é um dos motoristas treinados por ele e considerado um motorista Gold, a maior classificação existente na empresa, depois de trabalhar há seis anos e meio na operação JIT.
Além dos motoristas, dois colaboradores da Nepomuceno, chamados de antenas, acompanham toda a operação nas baias. Um deles tem a função de acompanhar os progressivos, a ordem de descida dos bancos a serem descarregados. O outro garante que os modelos de bancos entrem nas esteiras no sequenciamento correto. "Esse processo precisa de um acompanhamento dedicado para evitar que um kit de determinado modelo chegue à linha de montagem de outro modelo de veículo, que não o correto", conta Siomara.
Ganho de escala, aumento da produtividade e redução de custo são apenas os fatores mensuráveis da operação. A capacidade de avaliação das necessidades do cliente somada à inovação são os pontos imensuráveis e que se refletem na imagem da empresa.
Para a Nepomuceno, além dos ganhos em custos, como a economia do combustível, o modelo logístico inovador implementado é uma vitrine de competência e inovação da operadora logística. Hoje, a empresa é indicada pela própria montadora aos seus fornecedores e muitos negócios foram fechados, graças a essa operação customizada. "É um orgulho ser a única transportadora a oferecer esse tipo de serviço ? conta Siomara."Cada vez mais nos tornamos referência em soluções logísticas inteligentes e viáveis".
Mais de meio século depois de sua fundação, a Nepomuceno se tornou uma sociedade anônima sem deixar de ser familiar. Fundada por Agnaldo de Souza, quatro dos seus sete filhos trabalham na empresa e fazem parte da diretoria. Conta com uma frota de aproximadamente 1.300 equipamentos e tem cerca de 2.500 colaboradores espalhados pelas 35 filiais e pontos de apoio em 9 estados do país.
A evolução nos negócios com o segmento automotivo traz a certeza que a solução construída em parceria se torna muito mais eficiente e fadada ao sucesso. "A cada novo desafio nós também aprendemos, enriquecemos nosso repertório de soluções e nos tornamos melhores para novos clientes", resume Andrade.
Redação: Solange Hette
Foto(s): Divulgação
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