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Foton chega ao Brasil



publicado em: 01/06/2011

A montadora é a segunda chinesa a desembarcar no país em parceria com a Aumark e já promete a operação de uma fábrica própria em cinco anos


Já houve um tempo neste país em que Juscelino Kubitschek fez um governo que dizia reduzir 50 anos a 5. Hoje, o grande fenômeno é a China onde se resume 5 anos a 5 meses. Pelas afirmações dos dirigentes da Sinotruk e da Foton, chinesas que começam a vender seus caminhões no Brasil, Joel Anderson e Luiz Carlos Mendonça de Barros, respectivamente, o prazo máximo para instalação de plantas industriais de ambas as empresas no país é de 5 anos. Pelo que se constata no gigante asiático, podemos contar com estas promessas.

Daqui a 60 meses teremos a produção local dos caminhões de duas gigantes chinesas do segmento, no mínimo montagem em CKD. Até o ano passado, a Sinotruk produzia apenas caminhões pesados e experimentava a montagem de ônibus. Fez 219 mil caminhões pesados e 10 mil ônibus. No começo deste ano comprou duas fabricantes de caminhões leves e promete elevar a produção delas de 60 mil para 150 mil, 200 mil, quem sabe, em um ano. Acredite.

A segunda chinesa a entrar no Brasil é a Foton, uma montadora de veículos com sede em Beijing. Montadora porque usa partes de outros fabricantes, do mesmo modo como as nacionais MAN e Ford. A Foton colocou no mercado nada menos que 700 mil caminhões no ano passado, de semileves a pesados. E começa a vender seus leves no Brasil em outubro, logo depois da Fenatran. Na feira os seus veículos vão ocupar espaço da sua representante, a Aumark do Brasil, fabricante de veículos blindados.

O impacto que essas empresas causarão no país será mínimo a princípio, mas, não tenham dúvidas, que a partir de suas instalações de produção no Brasil, deve haver sim um baque no mercado. Sabemos muito bem disso pelas mãos da Hyundai, que chegou quietinha e dominou com folga o mercado de comerciais leves com o K2500, com vendas de 25 mil unidades no ano passado.

As tarefas são árduas para ambas, mas não se duvide da capacidade comercial dessas empresas. A Sinotruk pode desenvolver fornecedores nacionais por licenciamento e a Foton já usa motores Cummins e transmissões ZF, além de acordos com Bosch, Mercedes-Benz, AVL, Visteon, Motorola etc.

Apenas 15 anos
Com base em Beijing, a Foton procura demonstrar as vantagens de ser uma montadora de veículos e não uma fabricante. O argumento principal é o de poder utilizar as melhores tecnologias dos melhores fornecedores do mercado. Neste caso, a Foton apresenta parcerias com a Cummins, no segmento de motores, e Eaton no setor de transmissões e muitas outras.

"Isso possibilita uma grande flexibilidade - diz Mendonça de Barros -, graças à instalação dessas grandes fabricantes de autopeças na China." Entenda-se por flexibilidade a disponibilidade de milhares de itens para diversas categorias, sem depender da sua produção sazonal, ao gosto das variações do mercado.

Só para se ter ideia, a fábrica chinesa da Cummins tem capacidade para montar nada menos que 500 mil motores por ano. E motores de última geração, como os ISL de 2,8 e 3.8 litros com sistema de injeção commom rail com alto torque e substancial economia de combustível.

Graças a essa estratégia a empresa que nasceu em 1996 consegue apresentar um leque de veículos tão extenso, de automóveis a caminhões pesados. Para competir, escala. Compras gigantes e vendas idem permitem manter preços de dar inveja na concorrência, mesmo que os produtos sejam o que seus dirigentes definem como "premmium".

Há uma filosofia de exportação muito clara, é um dos objetivos do governo internacionalizar a China, ou melhor, que as montadoras chinesas estão oferecendo ao mundo não são comercializados no país. Um especialista na arte chinesa de comercializar observa que, embora os veículos comerciais chineses obedeçam a Euro 2, os veículos lá produzidos são Euro 2, Euro 3, Euro 4 e Euro 5, por enquanto.

Para o Brasil os Foton fazem a sua estreia com três caminhões leves, o semileve Foton Aumark 311, o 614 e o 917. O primeiro tem motor Cummins ISF 2,8 com 109 cv de potência e torque máximo de 280 Nm. A caixa é a ZF 400 com over drive. Nas versões Euro 4 e Euro 5 o veículo utiliza o sistema EGR.

Já o leve Foton Aumark 614 é tracionado pelo motor Cummins ISF 3,8, também commom rail Bosch, que desenvolve 143 cv de potência e conjugado máximo de 460 Nm entre 1.200 e 2.200 rpm.

Uma das tendências do mercado é o Foton Aumark 917 para 9 toneladas indicado também para o transporte interurbano de carga, com seus 8,3 metros de comprimento e 2,1 metros de largura. O motor é o Cummins ISF 3.8s 5089 com potência de 170 cv e torque máximo de 610 Nm. Tais motores têm o sistema SCR de tratamento de emissões. Esta versão tem a opção de cabina estendida, que permite melhor regulagem do banco, incrementando o conforto do motorista. Além disso, são três anos de garantia para o trem de força.

Os caminhões Foton chegam com conteúdo completo, incluindo ar condicionado, sistema de governo de freios ABS, direção hidráulica e acelerador manual com rotação variável ? para equipamentos como tomada de força, prancha de remonte etc e sofisticações como as combinações com madeira no acabamento de painel e volante.

Na parte do chassi os veículos apresentam chassi reto para facilitar a implementação. A suspensão conta com estabilizadores tanto na dianteira como na traseira e o feixe de molas traseiro tem um contra feixe para dar maior equilíbrio ao conjunto. O chassi foi desenvolvido pela Lótus. Além da segurança do sistema ABS para os freios a disco e tambor, os veículos têm de série um alarme de ré, um diferencial em relação à concorrência.

Negócio da China
A gigante chinesa tem muitos braços além da fábrica de caminhões, produz de automóveis a ônibus, de picapes a furgões e de guindastes a caminhões articulados para centenas de toneladas para operações fora-de-estrada, especialmente na mineração e na construção pesada.

Uma das divisões da Foton é inteiramente dedicada à prospecção e desenvolvimento de novas energias, iniciativa que já frutificou em veículos híbridos e elétricos. São ônibus, automóveis e utilitários, na busca de soluções sustentáveis à mobilidade.

Outra prioridade da empresa chinesa é a rápida globalização da marca pelos cinco continentes. O planejamento estratégico da Foton foca principalmente o Brasil e o México nas Américas, a Índia, Tailândia ou Indonésia na Ásia e Rússia. Na mira também a União Européia, a América do Norte, onde a empresa já atua e o Japão.

Para este ano, bem ao estilo e gigantismo chinês, a Foton estima produzir nada menos de 1 milhão de caminhões, de semi-leves a pesados, o mesmo que consumiam deste tipo de veículo a União Européia e os Estados Unidos, bem antes da crise econômica. Alcançado o objetivo de produção, a montadora apresentará então um crescimento de nada menos que 43% em um ano.

Pensar grande é realmente a filosofia. Mesmo durante a crise de 2009, nota-se que a empresa não deu a menor bola para as complicações econômicas. Sua produção saltou de 409.563 unidades em 2008 para 600 mil em 2009, apontando uma evolução de retumbantes 46,5%. E o número foi igual ao das vendas no período, bem entendido.

A maioria vai dizer que até a inauguração da fábrica daqui a 5 anos, a Fóton terá muitas dificuldades de venda, principalmente pela impossibilidade de os clientes financiarem o bem pelo Finame. Mas, a coisa parece não ser bem assim.

Segundo Mendonça de Barros, há uma grande possibilidade de o braço financeiro da empresa, que no fim é o próprio governo chinês, financiar os caminhões Foton com juros baixos. "Os chineses têm US$ 2,3 bilhões para financiar operações externas", adiciona Barros. Mesmo se cobrar bem acima dos juros anuais cobrados no país, de aproximadamente 4,5%, já será um negócio da China.

A parceria entre a Foton e a Aumark do Brasil está registrada na Suíça, país neutro e com uma legislação mais que confiável. O contrato tem vigor de 20 anos e dele consta a responsabilidade da Aumark em instalar a rede de assistência técnica e a prospecção do local da fábrica de caminhões, que será da própria Foton chinesa. A partir de então, portanto, por um prazo de 15 anos, a Aumark estará à frente da comercialização dos caminhões Foton no Brasil.

O fenômeno
"A estratégia chinesa é a de estabelecer prioridades e a atual é a de avançar com vigor nos produtos manufaturados de alto valor agregado e tecnologia", diz Mendonça de Barros. Fazem parte desse planejamento a utilização em massa de energia solar, sistemas de informação, automação etc.

E não devemos nos enganar, o lema de assimilar e melhorar possibilita avanços incrivelmente rápidos aos chineses. E isso sem falar das condições excepcionais de financiamento, tanto para o ferramental das fábricas quanto para os consumidores de produtos e bens de capital. Juros baixos e volume de recursos exuberante desenham o progresso impressionante do país.

A China está deixando de ser uma plataforma de montagem e galgou rapidamente novas etapas de sofisticação industrial, passando a ser um competidor global em bens de consumo de alto valor como veículos, eletrônica de consumo de alto nível e bens de capital como os materiais de telecomunicações, equipamentos etc. As exportações de manufaturados leves como os têxteis estão perdendo participação para os produtos de maior valor.

O PIB chinês de 6,5 trilhões de dólares tem alavancado, assim, uma formidável evolução em setores chave. A partir dos anos 90, a infraestrutura de transporte ganhou o status de prioridade e, a partir de então, construíram um rede de mais de 1 milhão de quilômetros de rodovias asfaltadas, com um grande programa de vias expressas. As autopistas chinesas já atingem mais de 65 mil quilômetros.

O desenvolvimento também atingiu a malha ferroviária, que hoje conta com mais de 13 mil quilômetros, com trens comuns que atingem 120 km/h, pendulares de 180 km/h, trens-bala para 350 km/h e um trem magnético, conhecido como Magleve, que se desloca numa velocidade média de 431 km/h, mas já atingiu 501 km/h.

Nas estradas, muito modernas, chama atenção a falta de uma rede de telefones de emergência como as que vemos em diversas autopistas paulistas. A resposta de um chinês importante: "É um custo totalmente desnecessário. As chamadas de celular abrangem todo o país e por um único número de três algarismos obtêm-se socorro rápido". Sem discussão.


Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação


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Autor do comentário: Sebastião Machado Braga
Comentado em: 09/12/2011
Comentário: O que falta e vontade politica


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