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Futuro será regional



publicado em: 01/12/2011

Pelo menos no que diz respeito ao combustível o caminhão do futuro buscará soluções locais e sustentáveis em vez dos benefícios da alta escala


Esta décima oitava Fenatran será difícil de replicar em todos os sentidos, das novidades até no elenco de visitas destacadas nos seus espaços, muitos presidentes e CEO de grandes corporações, técnicos e engenheiros e o mínimo de políticos, que bom.

Entre as figuras de destaque que passaram pela feira, revelando-a mais internacional que nunca, estava uma dupla de doutores alemães, que cuidam do desenvolvimento tecnológico da maior fabricante de caminhões do mundo ocidental: a Daimler.

No Anhembi, em São Paulo, Georg Weiberg, vice-Presidente de Engenharia de Produtos Caminhões da Daimler e o dr. Walter Sladek, diretor de Desenvolvimento de Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil. A grande pergunta para Weiberg era a relativa ao estágio dos caminhões atuais e até onde eles poderão chegar nos próximos 20 anos.

O que esperar além do Euro 6, série de parâmetros que entram em vigência na Europa a partir de 2013? A evolução da qualidade do caminhão nos últimos 40 anos foi fantástica, o consumo de combustível baixou no mínimo 50% e, em ordem ainda da mesma forma elevada, estão os ganhos em durabilidade nos pneus, lubrificantes, filtros etc.

"Sem dúvida acho que o nosso limite será o Euro 7, quando teremos chegado ao máximo em eficiência energética dos motores, momento no qual estaremos no pico da sintonia fina entre os parâmetros que realmente formam o que se pode chamar de regência perfeita: o equilíbrio total entre aerodinâmica, massa e fricção", resume Weiberg.

Evidentemente, ele se refere ao caminhão como nós o conhecemos, sem imaginar a evolução do próprio propulsor e o advento de combustíveis ainda mais eficientes que o diesel, ainda onipotente em termos de força.

Para o vice-presidente da Daimler, há que se levar em conta também a importância de se estabelecer outro equilíbrio, o das várias classes de caminhões e motores. Particularmente no Brasil, a limpeza dos novos Euro 5 contrasta com os milhares de veículos Euro 0 em circulação, o que faz a balança pender fortemente para o lado dos veículos "sujos".

Mas essa não é uma prerrogativa brasileira. Neste campo estamos no "2º mundo", mas a maciça maioria dos países está muito abaixo. Até na Europa este é um problema sério. "Em 2020 ainda teremos 20% de veículos Euro 3", diz ele. Para colocar as coisas nos eixos e melhorar efetivamente o ar, há que se desmobilizar essa frota inconveniente à preservação ambiental.

Em 20 anos teremos, segundo Weiberg, excelentes motores, combustíveis de primeira qualidade e veículos com interferência mínima de maus motoristas, graças aos dispositivos embarcados que passarão a rejeitar comandos equivocados.

Então, para diminuir ainda mais o consumo, teremos que reduzir ao máximo as restrições de rodagem, mexendo com as condições e composições de pneus, partes em geral, materiais e aerodinâmica. Para ele, por enquanto, a relação direta entre baixo consumo de combustível e aumento das emissões de óxido de nitrogênio (NOx) ainda é cruel.

"A condição prévia de desenvolvimento do caminhão inteligente já é a de procurar o balanço correto entre as soluções dadas à mitigação da geração de NOx e o ponto ótimo de equilíbrio para manter a máxima diminuição do consumo de combustível possível", explica.

A combinação do EGR e do SCR no Euro 6 permite baixar o NOx de 2 pontos por kWh no Euro 5 para 0.4, enquanto o índice de particulados cai de 0,03 para 0,01. Daí para frente, as incógnitas são muitas. "Hoje gastamos 400 milhões de Euros por ano especialmente nos programas de emissões, o que representa 40% de todo o orçamento do departamento de desenvolvimento", calcula Weiberg.

Híbridos

Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação


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