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Mudanças por atacado



publicado em: 11/11/2011

Fenatran 2011 superou as expectativas e mostrou a maioridade da indústria de caminhões, com novas tecnologias e muitos novos e fortes concorrentes.


A décima oitava Fenatran, como todos esperavam, revelou-se a maior, e melhor, edição da história da feira com recordes de negócios, público e crítica. Os números, um tanto midiáticos, bateram no bilhão de reais e o público superou os 80 mil espectadores.

Espectadores porque nunca se viu tantas novidades reunidas numa só semana de evento, fruto de uma conjunção de fatores inédita no Brasil, desde a apresentação dos caminhões nacionais Euro 5, novas linhas de veículos de várias montadoras, a chegada de novos fabricantes, especialmente da Paccar, na lata da DAF, e das maiores montadoras de caminhões do mundo oriental, Foton e Sinotruk. Sem falar da Shacman, Changan e Affa, também asiáticas. Todas elas atraídas pela oportunidade de participar da nova fronteira mundial de alta demanda. Não podia dar outra coisa, senão num estrondoso sucesso.

A importância da 18ª Fenatran pode ser percebida com maior intensidade ainda nos bastidores, onde circularam os mais altos mandatários da indústria mundial de caminhões, o CEO da MAN, Pachta, o diretor de Desenvolvimento mundial da Mercedes-Benz, Georg Weiberg; altos representantes das montadoras estrangeiras em geral, e chinesas em particular.

Em números, 365 empresas ou grupos mostraram suas cartas aos mais de 57 mil visitantes nos cinco dias de evento. A importância da Fenatran também pode ser confirmada com mais de uma dezena de fabricantes de autopeças chineses, num canto da feira, que começou a ser chamado de "Liberdade" por uns e "China Town" por outros.

Outros tantos chineses ou asiáticos trataram de fotografar tudo o que acharam interessante, desde veículos, implementos e partes, nos mínimos detalhes, como ocorrera na IAA, a feira internacional de Hannover, na Alemanha, considerada a maior do mundo. Para uma feira exclusiva de caminhões, a Fenatran já pode ser considerada uma das três maiores do mundo, com certeza.

Ou seja, o olho gordo sobre o mercado brasileiro e a "empurradinha" da, por enquanto, ameaça de aumento do IPI em absurdos 30 pontos levou a uma enxurrada de anúncios de investimentos bilionários, em dólares, na instalação de fábricas no Brasil. Neste rol incluem-se Sinotruk, DAF, Foton, Shacman e ampliações importantes na planta da MAN em Resende, RJ, e a instalação da segunda fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora, MG.

O "estrago" causado pelo aumento "além da conta" do IPI mexeu nas contas de algumas empresas, embora muita gente creia que surpresas ainda vão ocorrer nesse caso, principalmente pela formalização de protesto de governo como Japão e Coréia junto a OMC.

As linhas renovadas foram destaque em praticamente todas as fabricantes e novidades da IAA 2010, como o Iveco Gleider, puderam ser vistas na Fenatran, coisa inédita pela brevidade de tempo. Aliás, graças a queda vertiginosa do mercado europeu no ano passado (cerca de 50%) e que só agora começa a se recuperar, a diferença de atualização cairá praticamente a zero em janeiro, pois a vigência da Euro 5 na Europa valerá por mais 12 meses, até 2013.

Neste momento temos linhas de caminhões globais, mesmo as que começam a ser produzidas no Brasil, como os Actros série 3, em Juiz de Fora, como os MAN TGX, em Resende, além dos Iveco, Volvo e Scania. A Ford, com sua nova linha Cargo também promete um salto e tanto. A Transit, meio na base do fórceps, com a escalada do IPI sobre importados deve virar brasileira e o chamado Turcão, juram os fordistas, também vai virar Brasileirão, pois a engenharia da Ford Brasil deve prevalecer sobre a rival turca de Otosan. O extrapesado Ford deve começar com o Cargo 400 cv, e mais, para abrir o mercado de tração de composições brasileiras como os bitrens e rodotrens para pbtc de 74 toneladas.

Entre o ?trio de ferro?, de fato a grande novidade foi o anúncio do Ford extrapesado para breve, o último segmento a atingir para que a americana transforme-se numa full player. Para Oswaldo Jardim, diretor de Operações de Caminhões da Ford, os R$ 455 milhões que serão investidos entre 2011 e 2015 completam um montante total de R$ 1 bilhão desde 2005, boa parte deste na entrada da montadora na categoria de caminhões extrapesados. Além do sucesso do novo Cargo, outro comercial que faz sucesso é a Transit, que em setembro atingiu a participação de 12,3% do mercado.

"Nossa eficiência produtiva atingiu um patamar bastante elevado, nenhuma outra fabricante consegue produzir 22 caminhões por hora como a planta de São Bernardo do Campo", comemora Jardim.

As gigantes MAN e Mercedes-Benz mantiveram o script preanunciado de lançamentos, mas confirmaram a expectativa de investimentos bilionários em aumento de produção. A primeira com a ampliação da planta de Resende, RJ, que ganhará em área e a instalação de um condomínio de fornecedores ao lado.

Já a segunda quer voltar à liderança com a ampliação e adequação da fábrica de Juiz de Fora, MG, que passa a ser exclusiva de caminhões (Actros e Accelo) e a também ter um parque de fornecedores, e da de São Bernardo do Campo, SP, que ganhará em médio prazo aumento de produção de 15 mil unidades por ano.

Scania e Volvo também mostraram suas novas linhas ambas apostando em semipesados como os das classes P e VM. Fora os lançamentos já anunciados, a Scania mostrou o P 270, único caminhão 100% a etanol do Brasil, com tecnologia já empregada em ônibus da marca.

Movido a etanol o motor reduz em até 90% a emissão de CO² e atende à legislação Euro 5 e com a grande vantagem de dispensar o uso de Arla 32. "O lançamento deste caminhão é mais um exemplo de pioneirismo da Scania em oferecer as melhores soluções sustentáveis para o transporte", diz Roberto Leoncini, diretor Geral da Scania no Brasil. A motorização do P270 vem de um engenho de 9 litros que desenvolve 270 cv e 1.200 Nm de torque.

"O segmento de semipesado está em pleno crescimento no Brasil e, para atender este nicho altamente competitivo, além de economia de combustível, conforto e ergonomia da cabine, adicionamos ao produto o valor da sustentabilidade", explica Leoncini. Para ele, esta foi a resposta da montadora a alguns clientes verdes, que precisam de alternativas para atender às exigências de redução nos impactos sócio-ambientais da atividade do transporte por parte dos embarcadores.

A Scania também aproveitou a ocasião para apresentar P 270, único caminhão movido 100% a etanol do Brasil. A tecnologia em ônibus da marca, reduz em até 90% a emissão de CO2 e atende à Euro 5, dispensando o uso de Arla 32. O motor é um 9 litros de 270 cavalos e 1.200 Nm de torque a partir de 1.100 rpm. ?Esta demanda partiu de alguns dos nossos clientes ?verdes?, que precisam de alternativas para atender às exigências de redução nos impactos sócio-ambientais da atividade do transporte por parte dos embarcadores?, explica Leoncini.

Depois de lançar recentemente os novos caminhões FH, FMX e VM, as novidades da Volvo do Brasil foram apresentadas ao público geral na Fenatran junto a muitos detalhes importantes. As transmissões I-Shift, por exemplo, têm novos softwares, muito mais rápidos e eficientes, que se interconectam ainda melhor com a eletrônica embarcada, questão fundamental com os novos Euro 5.

"Essas caixas já equipam 70% dos caminhões da linha F, o que mostra quanto esse equipamento vem sendo aceito no mercado brasileiro pelas vantagens que oferece de redução do consumo, produtividade, segurança e conforto do motorista", diz Sérgio Gomes, gerente de Planejamento Estratégico da Volvo do Brasil.

Outra ferramenta lançada é Dynafleet, um gerenciador remoto de frota, que permite monitorar os dados operacionais do veículo através da internet. O Dynafleet permite ao transportador baixar o consumo de diesel, otimizar as rotas e melhorar o desempenho dos motoristas através de treinamento contínuo.

"O acesso ao posicionamento, o estudo da rotas e o acompanhamento fazem do Dynafleet um gerador de relatórios gerenciais excepcional, além de possibilitar a definição de cercas logísticas", explica Glenio Karaws, engenheiro de Vendas da Volvo.

A grande sensação da Iveco foi opreview da linha Ecoline, que será lançadano mercado entre 2012 e 2014, embora a linha atual seja uma das mais modernas do mercado. "Vamos agora renovar tudo de novo, com caminhões ainda mais confortáveis e robustos, com novos motores mais potentes, com melhor desempenho e menor consumo de combustível", diz Marco Mazzu, presidente da Iveco Latin America. Das 85 possibilidades de produto de hoje, os caminhões Ecoline aumentarão a oferta para 140 versões, variando em cabines, motores, transmissões, chassis e família.

O maior e mais potente da família Iveco no Brasil em 2012 será o Stralis AS, que traz ao Brasil, com exclusividade mundial, uma nova cabine sobre motorizações de até 560cv e 2.500Nm de torque - outras versões são a 440 e 480 cv. Os cavalos 4x2, 6x2 e 6x4 contarão com a facilidade da transmissão automatizada Eurotronic, novos entre-eixos e podem ter suspensão pneumática traseira.

Com 2.500mm de largura e 3.850mm de altura, a cabine - uma das maiores do mercado ? tem piso plano, bancos com ajuste pneumático e opção de teto médio para aplicações específicas. Na linha Ecoline os motores Euro 5 do Iveco Stralis Active Space e Iveco Stralis são até 7,5% mais econômicos.

Entre suas várias linhas, o Vertis Ecoline, de 9 a 13 t, ganha motores de 177 e 182 cv e maior torque, 570 e 610 Nm, com turbo Waste Gate, e a redução do consumo vai de 4 a 5%. Nos Tector mais potentes, 220 e 280 cv, a economia chega a 4% e mais, o 24 t tem câmbio ZF com sistema H, de marchas sobrepostas, cinco entre-eixos e ajustador automático de freios.

Já o Cursor Ecoline manteve a economia do Tector sobre a versão anterior com seu FPT Cursor 8, de 315 cv e torque de 1.300 Nm, para uma nova capacidade de carga de 48,5 t. O câmbio também é ZF single H.

Os pesadões da raça Iveco Trakker também ganharam mais força com engenhos de 360 cv, 440 cv e 480 cv para os 6x4 e 8x4, com opção de caixa automatizada. O fora-de-estrada desenvolve torques de 150, 210 e 225 quilos para pbtc de 31, 41 e 74 t, dando-se bem em composições fora-de-estrada e em bitrens e rodotrens.

Entre os comerciais leves, a Daily vem com novo motor FPT de 167 cv com turbo Dual-Stage que eleva o torque para 400 Nm entre todas as versões, exceto a Massimo de 7 toneladas que apresenta 450 Nm. A queda de consumo atinge 8%.

Chegou chegando

Adiantamento

Fábrica vem aí

Antes só?

Nos trinques

Redação: Pedro Bartholomeu


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