Já está na prateleira, com tudo nos trinques os novos caminhões Volvo Euro 5, que estarão nas estradas a partir de janeiro de 2012. Além dos baixíssimos emissão de poluentes, os novos motores das famílias FH e FMX têm potências 20 cv maiores que a versão anterior, desenvolvendo agora 420 cv, 460 cv, 500 cv e 540 cv.
Primeira a produzir em série os veículos Euro 5 no Brasil, também chamados por um complicado Proconve fase 7, ou P7, os efe da Volvo são fruto de um investimento de US$ 100 milhões, dos quais US$ 80 milhões numa nova cabine de pintura e US$ 20 milhões no desenvolvimento dos novos veículos.
Roger Alm, presidente da Volvo Latin America, exultante anunciou ambas as novidades em Manaus, AM, convenientemente na região onde mais se fala em preservação ambiental. "Se somos parte do problema, queremos ser parte da solução", disse ele a respeito do baixo consumo de diesel dos novos caminhões e da minimização da emissão de poluentes destes.
"Mais uma vez temos o caminhão mais potente do Brasil", comemora Sérgio Gomes, gerente de Planejamento Estratégico da Volvo do Brasil.
Para Álvaro Menoncin, gerente de Engenharia de Vendas, os caminhões Euro 5 representam um grande salto qualitativo nos veículos comerciais pesados. E sob todos os aspectos. "A potência dos veículos tem aumentado cerca de 5% ao ano e o consumo de combustível é cada vez menor, mas o mais importante mesmo é a queda de emissões".
Pelas contas de Menoncin, em comparação com um Euro zero, o consumo de combustível baixou entre 30% a 50%, a emissão de particulados caiu 16 vezes e a de oxido de nitrogênio (NOx) despencou 10 vezes. Nossos pulmões agradecem. "Os novos motores ganharam 20 cv de potência e 5% de torque", diz ele.
Os novos cavalos mecânicos Volvo FH, com CMT de 65 t, têm nova caixa I-Shift 70 quilos mais leve e que permite 5% menos trocas de marcha, algo muito significativo quando se sabe que uma viagem São Paulo a Porto Alegre obriga um motorista a acionar 600 vezes a manopla de câmbio. Com a I-Shift o conforto do motorista aumenta muito, por isso que na família FH no Brasil a caixa já representam 72% das vendas e com uma tendência forte de crescimento.
As novas I-Shift têm softwares inteligentes, que se conectam ainda melhor com a parte eletrônica do caminhão. Nesta nova versão, a caixa melhora ainda mais o desempenho do motor diesel, tanto em razão da qualidade do combustível como da tecnologia SCR.
E não é só, a velocidade média aumenta significativamente, diminuindo os tempos de viagem com toda a segurança. "A capacidade de subida em rampa aumentou 16%". O eixo diferencial também foi estudado para atender com eficiência em qualquer aplicação. São duas alternativas: uma relação 3,08:1, adequada para velocidades médias entre 62 km/h até 90 km/h e outra 3,40:1 para trânsito mais severo e velocidades entre 56 km/h e 81 km/h.
Os novos motores Proconve 7, que tracionarão as linhas FH, FM e FMX utilizam o sistema SCR com tratamento dos gases de escape. "O SCR proporciona um aproveitamento energético mais eficiente e uma solução ambiental otimizada e altamente confiável", diz Fedalto. Para se ter ideia, já existem 100 mil veículos Volvo Euro 5 rodando no mundo.
Outra grande qualidade do sistema SCR é que ele pode ser utilizado em motores de todos os tamanhos, sem complementações com sistemas de lubrificação ou de arrefecimento.
Os novos Volvo também ficaram mais parrudos. Um exemplo disso é o novo eixo traseiro sem redução nos cubos e dotado de uma carcaça fundida e modernização tecnológica. "É ainda mais durável e com níveis de ruídos menores", diz Fedalto.
Os caminhões Volvo FMX e FM com motor 11 litros também recebem a nova geração de motores, mas permanecem com a mesma potência, para manter a alta produtividade e o baixo consumo de combustível obtido.
A preocupação básica da engenharia da Volvo foi a de elevar o rendimento energético, apontou Ricardo Tomasi, engenheiro de Vendas da Volvo do Brasil. Assim, todos os torques dos motores elevaram-se em 100 Nm ou cerca de 10 kgfm. Nos motores que vão de 420cv a 540cv, os torques subiram em até 5%, o que também significa menor tempo de carga e descarga e maior produtividade para a empresa.
Para quem não quiser esquentar a cabeça com manutenção, a empresa ainda disponibiliza contratos de manutenção ? hoje já são mais de 15 mil ativos -, uma alternativa que já cativou metade das unidades produzidas. E parece ser, mesmo, um ótimo negócio: a taxa de renovação dos contratos de manutenção é de aproximadamente 85%. "O transportador brasileiro está cada vez mais inclinado a concentrar-se no foco de seu negócio, que é o transporte e a logística", analisa Carlos Pacheco, gerente de Pós-venda da Volvo.
Pós-tratamento
O SCR - Selective Catalytic Reduction, ou Redução Catalítica Seletiva, é baseado no pós-tratamento dos gases de escape, tendo sido desenvolvido para reduzir os níveis de óxidos de nitrogênio (NOx). O sistema converte os tóxicos gases de óxidos de nitrogênio em nitrogênio e vapor de água, inofensivos ao meio ambiente. É um sistema robusto, confiável e com poucos componentes: um tanque para o aditivo Arla 32 (AdBlue), uma bomba de sucção, uma unidade injetora e um catalisador. Nos caminhões Volvo este aparato acresce entre 80 a 100 quilos na tara dos veículos.
Um dispositivo chamado OBD - On Board Diagnostic, irá monitorar sinais importantes relacionados às emissões e indicará ao motorista eventuais falhas que afetam as emissões. Dependendo do nível de emissões de poluentes, o dispositivo também pode reduz gradativamente o torque do motor em caso de mal funcionamento.
O diagnóstico é feito por meio da supervisão dos sinais de vários sensores distribuídos em diversos pontos do caminhão, relativos aos sistemas de injeção, admissão de ar e gases de escape, além, é claro, do nível do tanque de Arla 32 (a ureia técnica). Pelas estimativas da Volvo um tanque de Arla possibilitará viagens de até 1.200 km de raio, ou seja, percursos de até 2.400 km.
O Arla 32 não será misturado no diesel, mas ficará armazenado em um tanque separado no caminhão. Feito a base de ureia, se transforma em amônia quando injetado no sistema de escape em altas temperaturas e reage com o óxido de nitrogênio emitido durante a combustão do motor. O óxido de nitrogênio é um gás poluente e nocivo à saúde, que pode causar problemas respiratórios e cardíacos.
Se o nível de NOx (óxidos de nitrogênio) estiver acima de 3,5g/kWh, o motorista será alertado por um sinal luminoso no painel, a lâmpada MIL (Malfunction Indication Lamp), e também através de mensagens no computador de bordo. O sistema inclui um limitador de torque em caso de o nível de emissões de NOx exceder o valor acima, mas o motorista tem 48 horas para providenciar os procedimentos de reparo. Todas as concessionárias Volvo vão distribuir a Arla 32.
Em janeiro do próximo ano os veículos já estarão disponíveis, caso o diesel S50 também esteja. Todas as mudanças necessárias nos veículos vão impactar o preço. Os Volvo FH e FMX terão seus preços majorados em 10%, enquanto o FM 11 litros sofrerá um reajuste de 12%. Ou seja, quanto mais leve e mais barato, maior o impacto da nova tecnologia nos preços.
Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação
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