A terceira geração dos caminhões Volvo VM chegou. Oito anos depois de seu lançamento no Brasil, o caminhão vem conquistando cada vez maior espaço entre as empresas de transporte e já representa 30% do total das vendas de veículos da Volvo brasileira.
A aposta da montadora é que a flexibilidade de utilização do modelo, com potências de 220 cv a 330 cv, vários tipos de transmissões e relações, possibilite ainda mais ganhos de participação ao modelo a partir do ano que vem, já com os motores Euro 5 (P7).
Para assegurar a pretensão, os novos VM vêm com potências ampliadas em até 20 cv e calibragem afinada para ganhar até 18% em torque, além de grande capacidade de frenagem. Enquanto os freios motores convencionais produzem até 155 cv o novo VM chega a 235 cv, o que lhe garante muito mais segurança operacional num país com alta incidência de estradas com trechos de serra e lombadas. Um exemplo de sinergia entre os modelos RVI e Volvo ? o modelo é derivado do Renault Midlum -, o VM é uma das peças que garante o sucesso da operação da Volvo brasileira: ?O Brasil é o maior mercado da Volvo Trucks?, comemora Roger Alm, presidente da Volvo do Brasil, antevendo o sucesso da nova safra.
Também otimista, Sérgio Gomes, gerente de Planejamento Estratégico da Volvo, calcula que o Brasil seja um dos mercados mundiais que apresenta a maior taxa de expansão: "Nosso mercado tem dobrado de tamanho a cada 10 anos, isso é excepcional", diz.
Dentro dessa estatística, o segmento que o Volvo VM frequenta é o que apresenta maior crescimento. "Nos últimos anos, o mercado do segmento de leves pesados saltou de 18 mil para 55 mil unidades/ano", lembra Reinaldo Serafim, gerente de Caminhões da Linha VM.
Em 2010, segundo ele, saíram das linhas de Curitiba 3,5 mil unidades do modelo, um número que deverá ser suplantado este ano, sem contar com as unidades de chassis que passaram a atender o mercado de ônibus com motor dianteiro, derivado da linha. "Estamos muito satisfeiros com o desempenho dos VM, que deve ser o terceiro modelo mais vendido em 2011", antecipa Serafim.
Para toda obra
O executivo acrescenta que o mercado sempre espera ser surpreendido e que a função da montadora é estar sempre de olhos e ouvidos atentos aos requerimentos dos consumidores com a máxima eficiência possível. Neste momento em que a falta de motoristas é extrema, o item conforto ganhou muita relevância para permitir ganhos de produtividade.
Neste capítulo o novo VM vem equipado: além da modernização exterior, a nova cabina mostra evolução. Acomodado o motorista, graças ao banco bem colocado e o volante multiplamente regulável em profundidade e ângulo, tem todos os instrumentos a mão e olhar fácil para o computador de bordo e o painel digital.
O volante já não é um mero girador, mas incorpora vários comandos, até o piloto automático e a buzina a ar. Totalmente rebatível contra o painel, a operação facilita a circulação do motorista dentro da cabina e o acesso à cama, de boas dimensões.
A cabina leito, por si só, já é um salto e tanto para o conforto do motorista, pois é a configuração que permite total regulagem do banco, sem a barreira da parede traseira da cabine, que impede a inclinação do espaldar.
Com os condutores bem tratados, os projetistas trataram então de incluir características para transformar o VM um veículo para toda obra. Então, para fazer dele um caminhão multifuncional, a engenharia da montadora desenvolveu modelos com aptidões vocacionais segundo as variáveis que definem o veículo ideal para cada tipo de trabalho. Ele tanto pode atuar em serviços fora-de-estrada, no transporte de cana, por exemplo, como em aplicações tipicamente estradeiras ou então nos serviços de distribuição urbana.
Por isso, a combinação entre o trem de força e a suspensão foi azeitada, calibrada para cada situação. O VM 220, sucessor do 210 cv, está configurado para serviços urbanos e regionais, enquanto o 270, que era 260, já pode ser utilizado em transferências de médias e longas distâncias em operações logísticas de mercadorias com razoável peso específico. Já os VM 330, que ganharam 20 cv sobre os 310, são típicos para as médias e longas distâncias sem restrições para tracionamento de semirreboques e composições tipo romeu-e-julieta.
Sob medida
Para conseguir o VM ideal para cada aplicação, a equação integra caixas de câmbio de seis marchas e eixo diferencial de dupla velocidade, visando aos trabalhos de distribuição em zonas urbanas ou metropolitanas. A transmissão de nove marchas e o eixo traseiro longo, por sua vez, é a composição básica para veículos rodoviários.
Produzidos nas configurações 4x2, 6x2 e 6x4, todos os modelos agora têm motores de seis cilindros, e flexibilidade para atender novos mercados com a nova linha. Depois da segunda geração, lançada em 2005, que incluiu motores eletrônicos e piloto automático e um cavalo mecânico 4x2, a nova família VM que chega às concessionárias em janeiro vem com rígidos 6x2 e 4x2 com 330 cv, uma receita infalível para os operadores logísticos, ávidos por ganhos em velocidade média e, por tabela, e mínimos transit times de operação.
Com vistas a atender os anseios da clientela, os novos VM tiveram ganhos de torque de 8% no 220, 5% no 270 e 18% no 330. Vários detalhes, além dos motores Euro 5, fizeram os veículos mais eficientes. "Só o ventilador elétrico para arrefecer o motor conseque economizar 1% de consumo de combustível", diz Ricardo Tomasi, engenheiro de Vendas da Volvo. A diferença é que o novo ventilador só entra em operação quando realmente necessário.
A contribuição principal para o sucesso de venda dos novos VM são as baixas médias de consumo de diesel dos novos Volvo. "Para um item como o consumo de combustível, que equivale, em média, a 43% dos custos operacionais, ser 10% mais econômico que a concorrência ajuda muito", assegura Serafim.
Os ganhos no rendimento do combustível também se devem à potência e torque superiores e ao aumento da pressão de injeção do propulsor, que passou de 1.400 para 1.800 bar.
Para o início da vigência da nova legislação P7 no país a partir de janeiro próximo, a Volvo estará disponibilizando a venda da ureia técnica, a Arla 32 em sua rede de concessionárias. E, além disso, já dimensionou os tanques do aditivo por modelo de caminhão. No caso dos VM, os cavalos mecânicos terão tanques de Arla 32 de 90 litros e os rígidos tanques de 50 litros.
As modernizações também levaram os novos VM a apresentarem índices de ruído muito menores e um ambiente na cabina muito mais amigável, destaque para o novo painel e a regulagem da coluna de direção, que deixou de ser mecânica e é agora pneumática, possibilitando infinitas regulagens com ajustes rápidos e fáceis.
Por essas e outras, a comercialização dos VM têm melhorado nos últimos anos. Só no ano passado as vendas do VM evoluíram nada menos que 60% e os números para este ano devem ser ainda melhores, segundo Serafim. "Estamos com um apoio muito grande da nossa financiadora (a VSF ? Volvo Serviços Financeiros), que tem oferecido juros de 0,75% ao mês", diz.
Os investimentos na nova linha VM chegaram a US$ 50 milhões e todo o aparato do sistema SCR necessário à obediência da nova lei de emissões farão os produtos 15% mais caros que os VM atuais. Mas os técnicos da Volvo asseguram que os benefícios vão valer o investimento.
Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação
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