A Ford demorou, mas caprichou no design da nova linha Cargo, veículos a partir de 13 toneladas e especialmente no Cargo 1732 cabina leito, que representa de fato um salto em modernidade. É realmente algo de novo no mercado. Novo porque as novas cabinas foram desenvolvidas com base no conceito Kinetic, ou energia em movimento, cuja principal característica é de fazer um veículo parecer em movimento mesmo quando parado.
Em
stand by para receber os novos motores Euro 5, os novos Cargo cabine leito ou não chamam mesmo atenção. A cabine tem curvatura pronunciada e defletores frontais que impressionam. Inspirado nos turcos da Ford Otokar, os novos Cargo foram desenvolvidos na planta da montadora em Camaçari, BA, e tem como principal função consolidar a rodoviarização da linha Ford Cargo, além, é claro, de conquistar valiosos pontos de mercado.
A aparência dos novos caminhões Cargo impressiona pela cara de bravo dos modelos. É muito agradável observar a frontal dos novos Cargo, que ganharam uma aparência bombada pela proporcionalidade vidro-carenagem e os grandes defletores incrustados próximos às laterais e em conjunto com a generosa grade frontal.
Depois da beleza, vem a força e o conforto. Primeiro que, governando o motor de 320 cavalos, finalmente está uma caixa sincronizada e com acionamento por cabo, coisa que parecia estar fora de cogitação da engenharia Ford, que disfarçadamente sempre usou da desculpa de que a ex-"eterna" caixa RT era a preferida dos motoristas de fato, como se os trogloditas motoristas americanos fossem o suprassumo da pilotagem.
Por essas bandas do cone sul o que importa mesmo é o sincronismo, ainda mais nesses tempos bicudos de falta crônica de motoristas. Hoje, trocar de marcha no tempo e em dupla debreagem é algo dinossaurico. Então, ponto para a Ford.
O certo é que com retórica parecida à de certo concorrente, Oswaldo Jardim, o diretor de Operações Caminhões da Ford, tem muitos e novos e fortes argumentos para convencer transportadores, autônomos ou comerciantes motorizados a fechar milhares de pedidos daqui para frente.
A ideia da nova linha, não começou com a gestão Jardim, mas com a anterior, e contou com vários ameaços feitos em longínquas Fenatrans, na época com a realização de testes de mercado com cabinas feitas na planta da Turquia. Realidade a partir de maio na rede, os novos Ford Cargo, adianta Oswaldo Jardim, deverão ser comercializados na faixa de preços dos VW Constellation.
Nos últimos tempos a Ford vem acertando em cheio nos seus lançamentos, depois de décadas de hesitação sobre o negócio caminhão. Por isso, perdeu pontos de mercado, mas ao que tudo indica a montadora quer recuperar os anos perdidos. E vem fazendo bonito. Um exemplo é a família Transit, amplo sucesso mundial e talvez um caminho para que a montadora se transforme numa full player no Brasil. Está vendendo bem.
Voltando à pauta, os novos Cargo, chamados de 2012 estranhamente - ou a empresa tem certeza que o Proconve 7 vai ser adiado, ou então esta versão é simplesmente a 2011/2012 -, chegam para ampliar a fatia da Ford dos médios para cima.
Algo de novo
Ao mesmo tempo, a família chega com 11 novos membros de 13, 15, 17 até 31 toneladas, envolvendo modelos 4x4, 6x2 e 6x4. A beleza veio dos CAD do centro de engenharia e design de Camaçari, BA; São Bernardo do Campo e Tatui, SP. A linha tem motores Cummins de 4 e 6 em conjunto com as novas transmissões Eaton das famílias FS, de seis marchas com primeira sincronizada, e FTS, com 13 marchas, totalmente sincronizadas.
"Este é um momento muito importante para a Ford Caminhões, uma marca pioneira na América do Sul. Lançamos uma linha completa de caminhões como parte dos investimentos de R$ 670 milhões, que estamos realizando até 2013. O novo Ford Cargo vai surpreender o mercado por exceder os requisitos desejados", disse Marcos de Oliveira, presidente da Ford Brasil e Mercosul.
Um a um, os modelos da nova linha são o Cargo 1317, Cargo 1517, Cargo 1717, Cargo 2622, Cargo 2628, e Cargo 3132, Cargo 1722, Cargo 2422, Cargo 2428, Cargo 1932R e Cargo 1932, com cabine normal ou cabina leito.
O que mais chama atenção nos novos Cargo são as linhas arredondadas e limpas que foram baseadas no Kinetic Design, um novo conceito de design, que busca dar uma sensação de movimento ao veículo, mesmo com ele parado.
A modernidade, contudo, recebeu uma boa dose de conteúdo prático, com o uso de materiais de alta resistência e utilização de conceitos ergométricos no interior da cabina e fora dela, onde o capô permite fácil acesso aos itens de inspeção diária e ajuda na facilitação da limpeza do grande para-brisa. Para acesso ao motor, então, um basculamento de 60 graus possibilita rápidas intervenções.
Sentado ao volante, o motorista vai perceber que diferenças vão da água para o vinho em comparação com a atual versão. Banco pneumático e múltiplo em regulagem, idem idem para o volante pequeno e com ótima empunhadura, enquanto o painel o abraça, deixando todas teclas, instrumentos e botoeiras ao alcance sem esforço.
"É uma nova geração de caminhões, cujo resultado final agradou nas nossas pesquisas com clientes de vários países", diz João Marcos Ramos, chefe de Design.
O posicionamento do motorista é bom, especialmente no cabine leito, embora a passagem para o leito é dificultada pelo túnel de encaixe do trem motor. O jeito é rebater o banco do motorista e subir o volante ao máximo com o veículo parado. Na cama, com suficientes 1,90 de comprimento, faltam alguns centímetros de largura e uma luz de leitura.
Na frontal, o conjunto de grades superior e inferior ombreando os defletores desvia o fluxo de ar para as laterais da cabine e ajuda a manter as portas limpas. A obra é carimbada com um grande logo Ford.
Se há algo que o motorista não pode reclamar é da visibilidade proporcionada pelos novos Cargo. Além do para-brisa de grandes dimensões, retrovisores bipartidos podem ter comando elétrico. As portas trazem soluções também interessantes. As laterais da cabina não têm frisos nem recortes e a área envidraçada é ampliada ainda mais com o embutimento do vidro móvel em moldura de vidro.
A cabine ganhou válvulas de ar na parte traseira, para renovação do ar ambiente mesmo com os vidros fechados. Para aliviar a trepidação na cabina, a suspensão é composta por quatro conjuntos de amortecedores.
Ambiente amigável
Entre os itens de conforto incorporados às novas cabinas, a linha integra soluções que, segundo os técnicos da Ford, proporcionam um dos melhores níveis internos de silêncio da categoria. Tanto graças à aplicação de materiais que absorvem ruídos como ao projeto, que dispensa abertura para a alavanca de câmbio no basculamento. Ou seja, a cabina é totalmente fechada, garantindo a vedação contra poeira e diminuindo o nível de ruído.
Os bancos também fazem a diferença. Ergonômicos, trazem várias opções de regulagem e têm revestimento de tecido resistente, toque agradável e fácil limpeza. Na versão leito, a cama é uma das maiores do mercado, com 1,90 metro, e traz embaixo um amplo compartimento para malas.
O sistema de ar-condicionado, opcional com filtro de pólen e recirculação de ar, evita a entrada de poeira na cabine. Já os vidros elétricos são de série e as travas elétricas opcionais. De qualquer maneira, um sistema elétrico trava automaticamente as portas quando o veículo atinge a velocidade de 8 km/h.
A chave de contato dos Cargo vem com o Pats - Sistema Global de Segurança antifurto da Ford, que tem código eletrônico e possibilita ao motorista bloquear eletronicamente o veículo através de um código numérico.
Para simplificar a manutenção todas as possibilidades foram testadas para ampliar os intervalos de manutenção, diminuir o tempo das intervenções e a necessidade de ferramentas especiais, com vistas a aumentar o índice de disponibilidade do veículo.
O mesmo ocorre para garantir menor custo operacional. O para-choque dianteiro, por exemplo, é composto por três partes para possibilitar substituições parciais, enquanto os faróis com máscara protetora facilitam a troca de lâmpadas. Além disso, a nova coluna de direção tem sistema "lube-for-life", dispensando a lubrificação por graxeiras.
Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Pedro Bartholomeu
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