Trata-se do maior empreendimento logístico em implantação no Brasil envolvendo a multimodalidade - transporte rodoviário, ferroviário e marítimo - e busca vantagens competitivas nas exportações de açúcar, através da gestão de transporte por excelência. O projeto é da Rumo Logística, leia-se grupo Cosan, de Piracicaba, SP, e envolve cifras bilionárias.
A intenção é viabilizar a transferência de nada menos que 19 milhões de toneladas de derivados da cana-de-açúcar para o porto de Santos. Até aí nenhuma novidade, mas o caso é que os produtos chegarão ao porto sem realizar a transposição da Grande São Paulo, com certeza o maior gargalo logístico do Brasil. Ou seja, ganhos gigantescos em agilidade, segurança, custos e a desativação de milhares de canos de escape de caminhões pesados.
"Nosso projeto replica o da Vale (a ex-companhia Vale do Rio Doce) - explica Carlos Magano, diretor Comercial e de Operações Porto da Rumo Logística -, com a operação de centros logísticos no interior de São Paulo e investimentos em equipamentos rodantes e linhas ferroviárias."
Os investimentos são da ordem de R$ 1,3 bilhão, valor que será gasto na duplicação, ampliação e melhoria da via permanente, aquisição de vagões e locomotivas de primeira linha e construção, ampliação e melhorias nos terminais de Santos e do interior de São Paulo.
O objetivo do megaprojeto é retirar mais de mil composições rodoviárias diárias (número de 2009) das rodovias paulistas e embarcar os produtos em quatro composições ferroviárias de 120 vagões também diárias em direção ao embarcadouro marítimo do grupo, o maior terminal de açúcar do mundo, em Santos.
O projeto vai se viabilizar graças a investimentos pesados no ferroanel Sul da Grande São Paulo, mais conhecido como ramal de Mairinque. Com um contrato assinado com a concessionária ferroviária da linha, a ALL Logística, o grupo Cosan implantará uma segunda linha no ferroanel, duplicando a capacidade de transporte do ramal e incrementando a segurança e os tempos de viagem no tramo.
É sempre bom lembrar que um dos maiores entraves à transposição da grande São Paulo por trilhos é a prioridade total para os trens de passageiros da CPTM - Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, que opera o sistema de trens metropolitanos da Grande Sâo Paulo.
Quando Magano fala em replicar a Vale, explica que o grupo busca uma rota de suprimento contínuo, uma espécie de "esteira rolante" gigante entre o interior paulista e o terminal santista. A Rumo Logística, que já opera com o modais rodoviário e ferroviário, faz assim uma incursão segura, viabilizando os investimentos no ferroanel sul, pois, segundo os especialistas em ferrovias, uma linha férrea é viável apenas a partir de uma movimentação mínima de 10 milhões de t/ano.
Para implementar esse projeto os investimentos serão gigantescos. Além de toda a arquitetura que envolve a relocação de carga entre modais, a substituição do rodoviário de carga - composições pesadas tipo bitrem - exigirá a aquisição de 729 vagões de carga, com capacidade unitária de 100 toneladas cada, e 50 locomotivas com potência de 4.400 hp.
Mas, isso não é tudo. A otimização da operação logística demandará também o assentamento de 150 quilômetros de trilhos com vistas a implantar um tramo de duas linhas paralelas, uma para cada sentido, entre Sumaré e Rio Grande da Serra, a primeira cidade localizada nas proximidades de Campinas e a segunda já incrustada na Serra do Mar.
Com uma linha por sentido, a velocidade média no trecho deverá aumentar bastante e permitirá a operação de quatro grandes composições ferroviárias por dia com margem de segurança máxima. Estamos falando de trens com capacidade de 12 mil toneladas, ou seja, um conjunto de trens que equivale a 48 mil t/dia e que representa a retirada de 1.600 caminhões pesados por dia das estradas.
Com vagões de última geração, o descarregamento que demanda atualmente até 40 minutos nos bitrens graneleiros comuns, se abreviará para ínfimos 2 minutos. Desta maneira, o provisionamento do maior terminal de açúcar do mundo, com capacidade estática de estocagem de 380 mil toneladas e de 50 mil t/dia de recepção, será feito sem atropelos e com folga.
Com a duplicação da ferrovia, que faz parte do ferroanel e é a via principal de transferência, falta ainda elevar a confiabilidade de embarque no porto para cumprir a meta de excelência logística. Isso será possível com a cobertura metálica do berço de atracação do Terminal Sul. A estrutura da edificação terá 138 metros de comprimento e 76 metros de altura, o que será equivalente a um prédio com 25 andares.
Assim, a Rumo Logística, o maior player de logística do mundo em exportação de açúcar e grãos, viabilizará um aumento de produtividade de nada menos que 90 dias por ano, período médio em que o embarque de açúcar é impossibilitado devido as chuvas.
Num primeiro momento a cobertura metálica será instalada apenas no Terminal Sul e cobrirá totalmente o berço de atracação. O projeto já foi aprovado, estamos apenas aguardando a liberação da Codesp/Antaq para dar início às obras e a expectativa é que tudo se conclua até o final deste ano. O segundo projeto - que será um projeto piloto - é o chamado Ecoloading, que será instalado no Terminal Norte. O equipamento é uma cobertura de tecido especial retrátil que será instalada no shiploader e envolverá todo o porão do navio e estará em funcionamento ainda neste primeiro semestre.
Até o final de 2012 o embarcadouro coberto estará pronto e suportará chuvas com inclinações de até 41 graus. Além de possibilitar o embarque contínuo de açúcar, esta estrutura será revestida com uma membrana que captará águas de reuso. A cobertura do embarcadouro foi desenhada para atender as maiores embarcações de carga existentes, como os navios Panamax e Cape Size, que transportam de 80 até 120 mil toneladas.
Atualmente, os prejuízos são grandes, pois as chuvas fazem com que o terminal deixe de operar mais de 90 dias por ano, obrigando os navios a esperar e provocando congestionamentos de caminhões no complexo portuário santista. Para se ter ideia da importância da medida, o ex-ministro dos Portos, Pedro Brito, comentou que o projeto proporcionará um aumento de 20% nas exportações de açúcar pelo porto de Santos.
As operações dos terminais Sul e Norte da companhia em Santos a céu aberto perdem muito com as chuvas. "O prejuízo é muito grande, os terminais da Rumo em Santos têm capacidade de embarque anual de mais de 11 milhões de t/ano, e esta marca deve aumentar significativamente quando as coberturas forem implementadas. Além disto, haverá diminuição nas filas de caminhões no local, além da diminuição da espera de navios para o embarque de açúcar", explica Carlos Magano.
Além de reduzir o gargalo logístico, a engenharia da Rumo Logística prevê que a nova estrutura aumente significativamente a exportação de açúcar no porto. Outro ponto importante da iniciativa do grupo é que o projeto dará mais agilidade ao transporte rodoviário de açúcar ao porto, com grandes chances de contribuir para a redução da emissão de CO² na atmosfera.
Outra iniciativa pioneira aplicada pela Rumo será a implementação de um inédito Ecoloading no Terminal Norte. O projeto consiste na instalação de uma cobertura de tecido especial retrátil que será acionada em dias de chuva, possibilitando o embarque de açúcar a granel. A Rumo Logística será a primeira empresa do país a utilizar esta tecnologia, que contará com uma estrutura de 22 m x 19 m e peso aproximado de 4 mil toneladas.
A proteção será acionada por meio de cabos tensionadores e um sistema de insuflamento automatizado que manterá o tecido esticado, capaz de suportar ventos de até 72 km/h e chuvas sem limites de inclinação, já que a cobertura envolverá todo o porão do navio.
Para Julio Fontana Neto, presidente da Rumo, a empresa dá mais um grande passo para mudar a história da logística de açúcar no Brasil. "Com estes projetos inovadores, poderemos aproveitar ao máximo nossa capacidade de embarque, com a oportunidade de continuar gerando divisas para o país", diz o executivo.
"Além disso, esta iniciativa reafirma nosso compromisso com a Responsabilidade Ambiental, com a eliminação de gargalos logísticos e a otimização do reuso da água em nossas atividades", diz Fontana.
A empresa
A Rumo Logística é o maior player de logística do mundo dedicado à exportação de açúcar. Empresa pertence ao Grupo Cosan e é especializada na logística de açúcar e grãos e possui capacidade de armazenamento estática de 380 mil toneladas de açúcar a granel e 55 mil toneladas de açúcar ensacado. As instalações da Rumo no Porto de Santos, oriundas da fusão dos terminais Cosan Portuária e Teaçu, em 2008, contam com uma capacidade de embarque anual de 10 milhões de toneladas.
A Cosan tem 23 unidades produtoras, das quais 21 no Estado de São Paulo e duas iniciando produção nas cidades de Jataí, GO, e Caarapó, MS, quatro refinarias e dois terminais portuários. Atua no varejo com as marcas União e Da Barra, no segmento de distribuição de combustíveis, por meio da marca Esso, e na produção e distribuição de lubrificantes automotivos e industriais, com a marca Mobil. É ainda um dos maiores produtores, comercializadores e exportadores de açúcar e etanol do mundo e maior produtor de energia elétrica de bagaço de cana.
Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação
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