11:54

+ rodoviário / carga / reportagens

Quanto mais leve melhor



publicado em: 01/11/2010

Tendência para os implementos é baixar peso e aumentar eficiência e segurança, respeitando as novas demandas da era da sustentabilidade


Quem compareceu à IAA 2010, a feira internacional de veículos comerciais realizada em Hannover, na Alemanha, interessado em conhecer as novidades em carrocerias, implementos e acessórios, com certeza não se decepcionou. As implementadoras deram o show de sempre.

O trio de ferro alemão, formado pelas três maiores fabricantes européias, Schmitz Cargobull, Krone e Kögel mostraram suas linhas cada vez mais customizadas na busca do menor peso próprio e, lógico, da maior produtividade possível, além de grande aparato para acelerar os procedimentos de carga e descarga.

As grandes implementadoras, todavia, apesar da luta para sobreviver ao dificílimo mercado de 2009 ? as quedas de vendas ficaram entre 50 e 60% nas suas linhas de montagem -, não descuidaram do aporte tecnológico agregado aos seus produtos para diminuir a diferença tecnológica que ainda existe entre os cavalos mecânicos e seus acoplamentos.

Como o agregado tecnológico nos cofres de cargas distingue as implementadoras e lhes permite garantir fiel clientela, de tirar o chapéu, mesmo, tem sido a evolução das fabricantes menores, que, graças ao empenho em desenvolver soluções para nichos de mercado, tem produzido composições de última geração.

Os materiais nobres passaram a fazer parte dos insumos básicos de todas as empresas do ramo. Do lado estrutural a utilização de aços nobres, de alta resistência e pouco peso, alumínio etc junto a projetos que procuram tirar o maior proveito possível deles já beira o corriqueiro.

Sob o aspecto operacional, já estão disponíveis um sem-número de dispositivos capazes de acelerar até o dobro a velocidade de carregamento e descarregamento das composições, amplificando a produtividade das frotas e, principalmente, obedecendo o principal mandamento da preservação ambiental: menos motores funcionando, menos gases emitidos na atmosfera.

Mais aliviado depois da crise econômica mundial que levou a Europa a uma queda de 50% no consumo de bens de produção, o CEO da Schmitz Cargobull, Ulrich Schümer, comemora o "renascimento" da empresa. "Depois de registrarmos uma queda de 50,5% nas vendas em 2008/2009, nosso crescimento foi de 65,5% no último ano comercial julho 2009/2010, e verificamos forte demanda na Russia, Hungria e Polônia", disse o CEO da maior implementadora do mundo.

Enquanto no ano passado a produção na Alemanha foi de 12.818 unidades acima de 6 toneladas, apenas no primeiro semestre deste ano já saíram das linhas de montagem nada menos que 10.494 caixas.

Baixo peso
O grande interesse do consumidor europeu é mesmo focado nos produtos que oferecem maior capacidade de carga líquida e que sejam equipados com sistemas de segurança operacional como os sistemas de freios ABS e os de controle de tração e de aceleração lateral, entre outros.

Um dos recursos mais utilizados pelas implementadoras para desenvolvimento das "light versions", ou versões leves, em média 2 toneladas mais "lights", é o uso de aços especiais ou alumínio trabalhados em "precisão" de cálculo para o carregamento padrão. Esses materiais especiais, mais resistentes mesmo que mais delgados, permitem também usar o recurso do oco, buracos nas longarinas, por exemplo, em pontos sem representativo carregamento.

Flexibilidade, economia de combustível, capacidade e praticidade, estes são os pré-requisitos principais nas compras de carrocerias e implementos rodoviários. Unindo todos esses predicados, a também alemã Fliegl apresentou uma família de caçambas que são o máximo em eficiência.

Com cobertura e abertura da porta traseira de descarga com acionamento elétrico, as novas caçambas Fliegl fazem as caçambas meia-cana parecerem coisas do passado. A rapidez fica por conta do descarregamento pneumático, um sistema inverso ao do compactador de lixo. Ou seja, não há o basculamento traseiro.

O sistema da Fliegl é perfeito para veículos que atuam nos segmentos de mineração subterrânea e obras de construção civil, nos quais o pé direito baixo impede a operação de veículos pesados. Mas, não é só isso. Também em trabalhos a céu aberto a alternativa é muito bem-vinda, pois confere grande estabilidade às operações de descarregamento em solos desnivelados, encharcados e irregulares.

Isso sem falar de um problema que afeta particularmente os paulistanos: com esse sistema de descarga acaba o problema de basculamento equivocado que causa grandes danos em momentos da passagem dos basculantes sob pontes, viadutos e passarelas.

Mas, acima de tudo, o novo sistema dumper da implementadora apresenta baixo centro de gravidade, o que o torna ideal para trabalhos em terrenos acidentados, como nas minas, agricultura e construção de estradas. Além disso, o descarregamento é muito mais rápido e mostra a ausência de resíduos. Ou seja, a tecnologia push-off elimina o descarregamento manual, imperfeito e demorado.

Nos semirreboques caçamba convencionais, a Fliegl dirige todos os seus esforços para abreviar ao máximo o tempo de descarga e dar o máximo de conforto e segurança para os condutores com a oferta de dispositivos elétricos de fechamento, tanto da caçamba como da porta traseira.

Para atender basicamente aos mesmos pré-requisitos, a Schmitz CargoBull apresentou o CombiCooler, semirreboque com fechamento com painéis de Ferroplast para transporte de produtos com multitemperatura, combinando congelados, resfriados e secos.

A participação dos implementadores nos esforços para a produção de conjuntos sustentáveis é bastante representativa. Embora o estágio de desenvolvimento de veículos comerciais já esteja bastante desenvolvido, a indústria implementadora contribui muito para a preservação ambiental.

Elevada capacidade
Unindo materiais metálicos nobres, a indústria consegue aumentar a capacidade de transporte dos implementos, enquanto novas tecnologias em fechamentos, paredes e equipamentos tratam de abreviar o tempo de descarga. Tudo isso tem um efeito multiplicador na frota e, paralelamente, maior eficiência em toneladas transportadas por cv do motor.

Outro exemplo desse conceito foi apresentado pela própria Schmitz: um furgão double deck, que pode acomodar 66 paletes padrão Euro (120 x 80 x 14,5 cm). Isso quer dizer 10% a mais de carga que os até agora sideres gigantes de 60 paletes e representam um ganho e tanto em termos de frota.

Também na busca da máxima eficiência, a Krone apresentou o novo Mega Liner Ultra, desenvolvido especialmente para o transporte de cargas de baixa densidade e grande volume. Unindo tecnologia e materiais a implementadora conseguiu um peso próprio de apenas 5.950 quilos.

A ideia foi a de oferecer um implemento dedicado aos segmentos de logística e indústria automobilística. Para isso, a Krone, durante a fase de projeto, juntou um elenco de especialistas do setor para confecção de um manual técnico com os requisitos do "implemento ótimo".

O resultado foi um semirreboque com capacidade volumétrica de 100 metros cúbicos, com um teto com sobreabertura hidráulica, que permite reduzir substancialmente os tempos de carga e descarga, graças ao uso de empilhadeiras em ambos os lados.

Outra novidade da implementadora foi o lançamento do semirreboque refrigerado VIP, com painéis isolados a vácuo. A alta eficiência deve-se, segundo os técnicos da Krone, à tecnologia de painéis isolados a vácuo, caracterizado pela alta capacidade de isolamento térmico e a menor espessura possível.

Os painéis são recheados por um pó de acido silícico microporoso, que possibilitam, depois de envelopados, uma eficiência inédita. O coeficiente de transmissão térmica K aumentou em 25%. Tudo isso para permitir painéis extremamente delgados e, por consequência, a maior capacidade possível de carga.

Um dos grandes destaques da Krone foi o que ela chama de primeiro contêiner intercambiável do mundo: o Rail Cargo Box. Com um comprimento de 12.040 mm, altura interna de 3.020 e largura interna de 2.500, o Rail Cargo Box permite empilhamento de dois a dois com os cofres carregados e três a três com as caixas vazias.

O Box intercambiável é composto de lona lateral de alta resistência e teto é elevável até 35 centímetros para facilitar o trabalho das empilhadeiras. O enlonamento é feito por material ultraresistente e dispositivos antifurto são disponíveis. Na versão curtainsider o peso próprio é de 7,5 toneladas para uma capacidade útil de 26,5 t.

Polarização
O fato é que até mesmo no segmento de implementos rodoviários está ocorrendo uma grande polarização. Os pesados à procura da máxima capacidade de transferência, enquanto os leves são desenvolvidos com a máxima profissionalização para atender principalmente as empresas de serviços.

O segmento de comerciais leves mostra uma tendência extraordinária de se adequar a nichos específicos e a acompanhar sua vocação de agilidade e rapidez. Por essa razão, pode-se ver que a customização abrange até as picapes leves derivadas.

Especialmente na Europa, a antiguidade dos centros históricos das grandes cidades é totalmente incompatível com veículos de grandes capacidades. Ou seja, independe de restrições das prefeituras, pois é fisicamente impossível qualquer caminhão pesado, e até médio, entrar em suas ruelas.

Assim, os comerciais leves apresentam-se com uma numerosa variedade de caixas de carga, que variam dos baús comuns com múltiplos acessos até veículos com caçambas basculantes laterais, para ocupar o mínimo espaço possível.

Dentro desse contexto, inúmeros dispositivos foram desenvolvidos para "multiplicar" a capacidade de distribuição dos veículos comerciais leves. Na parte da carroceria para os chassi cabina, ou da caixa de carga para os furgões, um sem-número de empresas desenvolveram equipamentos ou suportes para facilitar a vida dos motoristas de empresas de serviços, na entrega ou instalação.

Entre vários exemplos, a Ergorack, fabrica suportes para instaladores ou mantenedores que necessitam de escadas, pranchas etc e o faz de acordo com os princípios da ergonometria. Além de movimentar esses acessórios com toda a segurança, os dispositivos garantem que o instalador através de manivelas e travas especiais tenha acesso aos itens mantendo a postura correta.

Implementadoras como a Kässborer, por exemplo, oferecem composições com roller beds ideais para os contêineres usados nos porões de aeronaves. Os trilhos logísticos agora são desenvolvidos praticamente sob encomenda, customizados, por tipo de empresa, permitindo dessa maneira a montagem de pisos diferentes em Double deck, de acordo com os produtos distribuídos pela companhia. Em alguns casos, esses trilhos são substituídos por painéis logísticos, de maneira a oferecer enésimas possibilidades de alturas e sequencias diferentes.

Nos setores de travas, puxadores, coberturas de implementos, pisos ultraresistentes e facilitadores de acomodação de pallets, perfis logísticos, gaiolas etc o número de fornecedores é centenário. O mais importante é que as tendências são muito claras.

O motorista terá cada vez menos responsabilidades na operação de carrocerias e implementos. O fechamento e amarração de lonas, por exemplo, é coisa do século passado e que, manualmente, tem grande chance de má execução. Isso sem falar na fadiga do condutor.

No mesmo caminho ruma a tecnologia embarcada nas carrocerias. Desenvolvida pelas próprias implementadoras ou em consórcio com fabricantes tradicionais, os sistemas de gerenciamento de frenagem ABS, de tração, de aceleração lateral ESP etc estão disponíveis em todos os equipamentos de maneira a salvaguardar o motorista e a assisti-lo em caso de emergência na estrada.


Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação


Ver todas as notícias

Comentar sobre esta notícia
Nome:
Comentário:


redes sociais
facebook
twitter
youtube
flickr
fale com a revista
fale conosco


© 2003 - 2012. Revista Negócios em Transporte. Marca registrada da Tudo em Transporte Editora Ltda. Todos os direitos reservados.