Exatamente cinco mil unidades depois, o Bongo K2500 comemora o primeiro ano da linha de produção uruguaia da Kia Motors. O brinde ficou por conta de uma produção 20% maior que a prevista há um ano, na inauguração da fábrica em Montevideo. De lá para cá, a Kia Motors do Uruguai, empresa da holding Gandini Participações e Representações, contabilizou U$ 100 milhões em exportações, dos quais 95% para o Brasil.
Nada mal para um investimento inicial de apenas US$ 25 milhões, se comparado a uma fábrica própria, que demandaria aporte milionário. Graças a uma espécie de consórcio da fábrica da Nordex, localizada em Montevideo, que divide instalações com a Renault Trucks e a chinesa Dong Feng Motors. Um ótimo negócio, considerando que boa parte do veículo vem da Coréia e é montada pelo sistema CKD por uma equipe treinada por especialistas da própria matriz.
Desde julho a produção mensal passou da média de 416 para 700 veículos/mês. São 32 por dia, um a cada 15 minutos. Das 5 mil unidades produzidas 4.680 foram exportadas para o Brasil, o restante ficou no país. Mesmo assim a demanda tem sido maior que a oferta, graças principalmente às medidas restritivas à circulação de caminhões no Brasil. "Em 2010 foram vendidas 9 mil unidades do Bongo e este ano foram 7 mil até julho", diz João Pessoa Nascimento, diretor de Desenvolvimento Industrial da Kia Motors Brasil e Uruguai.
Vale lembrar que o K2500 é o único produzido pela fábrica de Montevideo, por ser o modelo de maior demanda entre as oito versões do caminhão leve Bongo e responsável por 90% das vendas para o Brasil, as demais versões são importadas da Coreia. O 2500 é o modelo mais básico, produzido exclusivamente na cor branca. Seus 4,83 metros, capacidade de 1.530 kg e um valor de entrada de R$ 55 mil o faz muito atraente.
"Não vendemos mais porque não produzimos mais", afirma. Por isso, estão previstos investimentos de US$ 10 milhões até maio de 2012 no aumento da capacidade. De olho também no mercado de 800 mil veículos da Argentina, a linha de pintura e montagem foram ampliadas para aumentar a capacidade de 12 mil para 15 mil unidades/ano. O mercado uruguaio é de 50 mil veículos.
Já está em vista a implantação do segundo turno para dobrar a produção para 1,4 mil caminhões/mês ?São 17 empresas fornecedoras, sendo sete do Brasil, cinco do Uruguai e cinco da Argentina?, explica João Pessoa. Do Brasil chegam pneus, bateria, vidros, macaco hidráulico e rastreador. Já a Argentina fornece o material para pintura. O Uruguai entra com bancos, isolamento acústico e lubrificante. Até maio do ano que vem o tanque de combustível e o chassi também serão uruguaios, este último produzido por uma empresa argentina que se instalará no país para atender exclusivamente a Kia.
Hoje, o índice de regionalização é de 47% e deverá chegar a 50% até o final do ano. A KMU tem até o ano que vem, dois anos após a inauguração da fábrica, para atingir os 60% exigidos pela legislação e manter o regime especial que isenta o modelo do imposto sobre importação, algo fundamental para manter a competitividade.
Redação: Solange Hette
Foto(s): Martín Rodriguez
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