É na capital argentina que os primeiros ônibus híbrido-elétricos equipados com o sistema Eaton chegam à América do Sul. O acordo entre a fabricante americana e a montadora Tatsa ? Tecnologia Avanzada SA prevê a fabricação dos veículos na Argentina para o mercado latino-americano.
Os primeiros 25 veículos, previstos para outubro deste ano, são apenas o início de um processo para instituir um transporte mais amigável ao meio ambiente. Essa preocupação, aliás, está presente desde a fundação da Tatsa, em 2005, como divisão automotiva do Grupo Cometrans - Consórcio Metropolitano de Transporte, conglomerado com atuação em diversos segmentos de transporte urbano, rodoviário e ferroviário.
Economia de 40%
Atualmente, a frota de mais de 1.400 veículos das empresas da Cometrans percorrem 67 milhões de quilômetros e transportam 164 milhões de passageiros por ano em 40 linhas que circulam nas cidades de Buenos Aires, Santa Rosa e Baia Blanca, província da capital. "Quando tomamos conhecimento de alguns números referentes aos danos à saúde que estavam ocorrendo por conta da poluição ambiental, resolvemos tomar uma atitude", conta o presidente da Tatsa, José Garcia.
Foi assim que os primeiros protótipos do ônibus híbrido surgiram em 2007. Nesse momento, a escolha de fornecedores alinhados com a proposta ambiental levou à parceria com a Eaton Corporation, fabricante de componentes e sistemas automotivos e geradores de energia. Tendo por princípio tomar decisões rápidas, a parceria com a Eaton foi fechada em menos de 9 meses, um fato inédito, conta o executivo. Dois anos depois, o acordo produz o primeiro ônibus híbrido da América do Sul, em parceria com a Universidade Federal de La Plaza e parcialmente financiado pelo governo da cidade de Buenos Aires.
Detentora da tecnologia híbrida desde 2001, quando lançou o primeiro sistema nos EUA, a eficiência do sistema híbrido Eaton se comprovou nos 19 milhões de litros de combustível economizados e na redução do nível de emissão de gases de escapamento em mais de 44 mil toneladas. A partir daí são mais de 3 mil veículos e 160 milhões de quilômetros rodados com a tecnologia. "Hoje, milhares de passageiros são transportados por veículos com o sistema Eaton nas cidades da Ásia, Europa, América do Norte e agora na América do Sul", diz Ricardo Dantas, diretor de Vendas e Marketing do Grupo Vehicle Brasil.
Segundo o executivo, além da economia de combustível em até 40%, dependendo do veículo e do motor, também permite reduzir as emissões de gases poluentes em até 60%. Ou seja, benefício para o frotista e para a sociedade. Basicamente, o sistema híbrido combina o motor a diesel (ou gás ou álcool) com motor elétrico de 44 kW, ligado a uma transmissão de seis marchas automáticas. Um pacote com 4 baterias de Ion-Lithiun se encarrega do armazenamento de energia e um software gerencia todo o processo.
A partida é feita com o motor elétrico que funciona até a velocidade de 20 km/h, quando entra em ação o motor a combustão. O sistema acelera mais rápido devido ao motor elétrico e é totalmente silencioso do que o veículo 100% diesel. Como o sistema é programado para reaproveitar a energia gasta na frenagem, estima-se que a reutilização de energia gire em torno de 30%, a melhor aplicação é justamente para as operações stop-and-go (para e anda) típicas dos perímetros urbanos. Daí a boa aceitação em frotas urbanas como a Fedex, Coca-Cola, DHL e UPS, alguns dos clientes da Eaton que tem o sistema híbrido instalado.
No princípio a implantação do sistema híbrido pode gerar um custo elevado de aquisição, admite Dantas, que pode ser absorvido com o apoio do governo em projetos como o da Tatsa. "Claro que o frotista também tem que ter disposição para isso, e por este motivo é importante dizer que um ônibus com sistema híbrido gera redução de combustível e isso será sentido no bolso".
O acordo de colaboração entre as duas companhias é de longa duração e prevê a produção de 150 ônibus até 2012, apenas para a cidade de Buenos Aires. A partir daí, com os benefícios no bolso e nos ares devidamente computados, estima-se um mercado para mais de 1.500 unidades nos próximos 10 anos. "Nos sentimos orgulhosos de estarmos na vanguarda do desenvolvimento de veículos públicos tecnologicamente eficientes e ambientalmente sustentáveis", afirma Garcia.
Enquanto isso, no Brasil algumas grandes montadoras já iniciaram conversas com a equipe da Eaton, como admite Dantas, mas por hora ainda não há alguma parceria firmada.
Redação: Solange Hette
Foto(s): Grupo Plaza
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