Por isso, se os radares detectarem que algum automóvel permanece na faixa da direita mais que dois quarteirões é lavrada imediatamente uma multa para o proprietário do veículo. A fiscalização eletrônica fotografa o automóvel que adentra à faixa exclusiva e, se este não virar a primeira permitida à direita é fotografado a segunda vez e multado. As duas faixas especiais para o BRS contêm a inscrição "Ônibus" na sinalização horizontal de cada uma e faixas grossas azuis entre a segunda e terceira faixa e o meio fio.
A simples distinção entre automóveis particulares, veículos de carga e táxis vazios, que repartem as faixas da esquerda, já mudou a "cara" da avenida, que anteriormente mostrava caos diário no trânsito a qualquer hora do dia. Parte da estratégia de restringir cada vez mais a circulação de automóveis, as duas faixas do BRS sempre têm trânsito tranquilo em contraposição às faixas normais da esquerda, com trânsito quase sempre congestionado. Um fator que deve induzir o motorista particular a deixar o seu carro em casa e trocá-lo pelo transporte coletivo.
Resultado, desde a implantação do sistema BRS nas áreas supersaturadas de Copacabana, Ipanema e Leblon, na zona sul carioca, a velocidade média aumentou de 13 para 25 km/h e o ipk foi mantido embora a frota rodante tenha diminuído em 23% e os tempos de viagem baixaram 20%. "Os resultados são excepcionais", diz José Antonio Lopes, assessor da Coordenação Geral de Concessões da SMTR - Secretaria Municipal de Transportes da cidade do Rio de Janeiro.
A situação anterior era de pré-caos, principalmente nas horas de pico das avenidas principais desses bairros, com a mistura de carros, veículos comerciais e ônibus. Agora, com as lições das implantações anteriores o sistema chega ao centro da cidade. Para isso, além da divisão em 5 blocos, as 75 linhas foram totalmente redimensionadas e uma grande panfletagem foi feita, informando sobre as mudanças e para que grupo de paradas os passageiros devem se dirigir.
Para operacionalizar o projeto BRS no Rio, uma frota de 200 unidades de chassis Scania K 230 4x2 foi adquirida pelo Grupo Breda. O novo carro padrão por si só já representa uma quebra de paradigma no sistema de ônibus carioca, primeiro pelo nível de conforto que oferecem as carrocerias Neobus aos passageiros e depois pelo chassi Scania K 230, que oferece suspensão pneumática, piso baixo e ampliação do espaço interno, além das qualidades da motorização traseira.
Como diz Claudio de Senna Frederico, especialista em transporte urbano e consultor de infraestrutura urbana e planejamento estratégico de trânsito, o BRS como instalado no Rio reúne uma série de características para fazê-lo atraente, transformando totalmente a má imagem dos sistemas com linhas comuns. "Os ônibus precisam ser de primeira categoria para atrair o público que se desloca de automóvel - diz ele-, precisamos fazer algo para mudar o cenário do transporte urbano, pois ainda menos de 25% das viagens motorizadas ocorrem no transporte público".
Para não ser encarado como "quebra galho", o sistema BRS precisa exibir organização e disciplina. "A solução da mobilidade urbana começa com a valorização do transporte público", diz Senna. A começar pelos pontos de parada decentes, a frequência dos ônibus, o seu conforto e finalmente a confiabilidade do sistema. Para ele, a má imagem é fruto da falta de cuidado com os sistemas, a começar pelas "estações de embarque que são normalmente um pau fincado no chão".
Para o gerente executivo de Vendas de Ônibus da Scania, Wilson Pereira, a solução adotada pela Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro nas mais adensadas áreas da capital carioca é um bom exemplo de que se pode fazer muito, mesmo com pouco dinheiro. "O ordenamento das linhas, a oferta de veículos decentes e uma fi scalização rigorosa viabilizam a instalação desse tipo de sistema com pouco investimento e grande taxa de retorno", analisa.
Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação
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