Já está rodando em Curitiba o maior ônibus do mundo, um B340M com 28 metros de comprimento e capacidade para transportar nada menos que 250 passageiros, 35 pessoas a mais que o biarticulado anterior.
O novo vagão urbano vai circular por enquanto nos corredores Boqueirão e Pinheirinho rumo ao Centro, com a perspectiva de ganhos de 15 e 10 minutos respectivamente nos trajetos expressos. Estes sim a grande novidade do sistema, pois o megabus da Neobus - já batizado de Ligeirão - é o primeiro a ter autorização de ultrapassagem.
Em relação à versão anterior, o Ligeirão é 3,5 metros maior, o que exigiu uma reengenharia do carro, que permitiu reposicionar o balanço traseiro do primeiro carro do B340M, de maneira que as portas coincidissem ao espaço a elas reservados nas estações tubo.
A configuração entra para o portifólio da Volvo Bus, que graças à comunização possibilita homogeneização de compras de peças de reposição. As rotulas, por exemplo, são as mesmas às instaladas no B58. Todos os dimensionamentos permitem que o carro opere no Transmilenio, de Bogotá; no BRT de Manaus, e entre outros tantos sistemas.
Para o sistema expresso estão sendo integrados 94 carros de grande capacidade, 24 biarticulados e 70 articulados. Os veículos são de piso normal, 20% mais baratos que os com piso baixo. "O que temos em mente é fornecer o melhor preço por metro quadrado, para que a tarifa não seja comprometida", explica Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus Latin America.
Mas, a preocupação da Volvo Bus e da Neobus não se restringiu à oferta de custo competitivo para as empresas. Detalhes simples, por exemplo, levaram ao reposicionamento da porta dianteira que foi recuada para dar maior segurança operacional ao veículo.
Na versão anterior, a aglomeração de passageiros junto à porta dianteira dificultava a visibilidade do motorista, pois o retrovisor direito ficava encoberto e impedia a plena visão do motorista para o controle de subidas e descidas dos passageiros.
O Ligeirão deverá aliviar muito os dois corredores onde deverá operar nos horários de pico. Para se ter ideia, o novo biarticulado tem capacidade para 250 passageiros, enquanto a última versão chegava a 215 passageiros e o ligeirinho prata, um articulado, lotava com o embarque de 150 pessoas.
Um grande predicado da nova alternativa é que ela "puxa" para cima a velocidade de todo o sistema. Com base em pesquisas de origem e destino, milhares de passageiros eram obrigados a acompanhar as paradas do coletivo em toda a viagem e a arcar com todo esse tempo perdido.
Com a operação expressa entre terminais, os tempos de viagem vão despencar e o reflexo será o esvaziamento dos ônibus paradores. Na realidade os expressos aproximam o sistema de Curitiba ao Transmilenio de Bogotá, onde a ultrapassagem sempre foi utilizada como meio de incrementar a capacidade total do sistema, através do aumento da velocidade média dos expressos e a possibilidade de ultrapassagem.
Um dos grandes diferenciais do Ligeirão em termos operacionais, decorre da própria "inteligência" do sistema curitibano, que permite uma movimentação dos passageiros muito mais rápida que a maioria dos outros. A entrada de pessoas é rápida e muito facilitada pela compra dos bilhetes fora do ônibus, não há catraca nem tampouco cobrador. Além disso, o biarticulado tem piso totalmente plano, apesar de ser um piso alto, e por isso com valor de aquisição bem mais barato que o piso baixo.
Os resultados são notáveis segundo Elcio Luiz Karas, responsável pelo projeto e gestor da área de inspeção e cadastro da Urbes: "O custo benefício com a entrada em operação do Ligeirão nos dois corredores é muito grande". A velocidade média no corredor do Boqueirão aumentou de 22 km/h para 38 km/h, nada menos que 34%. Além disso, a capacidade evoluiu de 62 mil passageiros/dia para 75 pax/dia. Já na linha Verde, o aumento da capacidade registra 32 mil passageiros por dia contra 26 mil anteriormente.
Outra novidade muito bem-vinda é que o Ligeirão é movido 100% com biodiesel de soja, para felicidade dos pulmões curitibanos. "O biodiesel custa entre 20 a 25% mais que o diesel, mas os benefícios ambientais são incalculáveis", diz Karas. Para incrementar ainda mais a eficiência dos sistemas, foi instalado um sistema de semáforos inteligentes gerenciados por controladores que tem a posição dos ônibus exata através de sensores. Caminho livre para o aumento da velocidade média.
Um problema à vista, decorrente das dimensões do coletivo é o vandalismo, um problema crítico de Curitiba nas outras configurações. Dizem os motoristas que, especialmente no último carro da composição, o problema deverá se agravar pela impossibilidade de o motorista controlar os predadores que atacam principalmente os vidros.
De qualquer forma, o biarticulado Volvo encarroçado pela Neobus chega a uma capacidade por unidade bastante próxima a um vagão do metrô de São Paulo, considerado o mais pesado do mundo. A expansão do sistema começará pelo corredor Norte. "A implantação estará completa em dezembro, tempo necessário para o desalinhamento das estações", diz Karas. É esse procedimento que permite a ultrapassagem dos paradores pelos expressos.
Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação
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