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Vitrina cheia



publicado em: 01/09/2011

Encarroçadoras e montadoras mostram o que tem para garantir fatia expressiva dos sistemas de transporte de massa em implantação no país


Todas as montadoras e encarroçadoras têm os olhos voltados para os 20 corredores BRT ?Bus Rapid Transit, em implantação no Brasil em 11 das 12 capitais que serão palco dos jogos da Copa do Mundo de futebol de 2014. Pelas contas dos especialistas, para colocar essas duas dezenas de corredores em operação serão necessários entre 2.500 a 3.000 coletivos, talvez a metade deles ônibus articulados de grande capacidade.

Para, digamos, rechear esses caminhos já estão nas vitrinas as últimas novidades da indústria, que prometem o máximo em produtividade, disponibilidade e economia para os frotistas do transporte urbano de passageiros de todo o país.

No que se refere aos chassis todas as montadoras têm lá suas novidades em configurações que vão do convecional ao 15 metros e do articulado aos articuladões e biarticulados. Para atender aos desejos de empresários de todas as regiões, Scania e Volvo embarcaram também nos chassis com motores dianteiros, ainda campeões absolutos de venda no segmento de transporte urbano.

Com 60% de participação na América Latina e 13% no mundo, a Mercedes-Benz levanta a bandeira do diesel de cana de açúcar, a sua preferência em combustível sustentável: "Já rodamos mais de 300 mil quilômetros com o diesel de cana e começamos a rodar veículos com mistura de 60% em frota de ônibus do Rio de Janeiro", disse Jürgen Ziegler, presidente da Mercedes-Benz do Brasil.

Mas, para sustentar a capacidade dos sistemas nos horários de pico os pesadões estão aí. Para tentar equilibrar o jogo, ou seja, oferecer um veículo com capacidade próxima dos 200 passageiros, a engenharia da Mercedes-Benz, líder do segmento no país com cerca de 45% de participação, tirou dos CAD-CAM um articulado de quatro eixos já batizado de 'articuladão' ? tem mais de 20 metros de comprimento.

Esta foi a saída da montadora para 'perseguir' a capacidade total de passageiros dos biarticulados da Volvo Bus, pois estes já chegaram aos 28 metros de comprimento, graças à característica de ser o único chassi que puxa os reboques, coisa impossível de fazer com um motor traseiro empurrando duas articulações. Algo simplesmente ingovernável.

Para os técnicos da Mercedes-Benz a nova confi guração tem tudo para agradar, principalmente por duas razões: ?Nada melhor do que diminuir de duas para uma articulação apenas e ainda de lambuja ter uma composição com dois pneus a menos?.

Não pela articulação mecânica em si, mas pelas sanfonas, que sempre se constituem numa fonte de problemas para os departamentos de manutenção e, por tabela, com reflexos nos índices de disponibilidade deste tipo de configuração. Assim, apostando num custo operacional mais baixo e em maior taxa de disponibilidade, Gilson Mansur, diretor de Veículos Comerciais, aposta na nova alternativa.

A linha 2012 de chassis Mercedes-Benz não se resume a isso, chega com a tecnologia Blue Tec 5 (P7 ou Euro 5) e muitas melhorias reivindicadas pelos frotistas para tornar os veículos mais fáceis de encarroçar e de cuidar. Ao mesmo tempo, como diz Ricardo Silva, vice-presidente de Ônibus América Latina da montadora, "a linha, mais do que atender à futura legislação de emissões, dá um novo salto de qualidade".

"Além de apresentar motores mais econômicos e ecológicos, otimizamos ainda mais os nossos produtos, sempre alinhados com as demandas dos nossos clientes e dos órgãos gestores", assegura ele. Assim, foram feitas adequações de lay-out de alguns chassis, instalado novo painel de instrumentos, novos volantes e interligados todos os dados de gerenciamento eletrônico dos veículos.

Os destaques da Mercedes-Benz foram o campeão de vendas OF-1724 e os novos articulados O 500 MDA e UDA com vistas aos novos sistemas BRT. Desta maneira, o portifólio da Mercedes passa a oferecer apenas para esse tipo de transporte de massa quatro alternativas, quais sejam os articulados atuais de três eixos O 500 MA e UA e os O 500 MDA e UDA, as últimas versões de cada modelo do tipo 'low entry'. A frota rodante de articulados O 500 no país já alcança 1.210 unidades, enquanto outras 730 foram exportadas.

Os 'articuladões', que podem chegar aos 23 metros de comprimento, graças aos dois eixos no último reboque, tendo o eixo de sustentação apenas dois pneus e posicionado atrás do eixo de tração para garantir menores arraste e raio de giro, possibilitando melhor manobrabilidade. Para os técnicos da montadora, os articulados O 500 não requerem nenhum retrabalho para encarroçamento, com alongamento de entre-eixos ou comprimento, pois já saem da linha de montagem preparados para isso.

Na tração P7 o motor OM 457 LA oferece potência de 354 cv e torque de 1600 rpm, praticamente constante entre 950 a 1.500 rpm garantindo fôlego para ganhos de velocidades médias, com melhoria de arrancadas e retomadas de velocidade.

Ônibus MAN
Outra grande novidade é a chegada no Brasil dos chassis de ônibus MAN, uma extensão dos chassis Volksbus para as composições pesadas. Um modelo articulado MAN com carroceria Lion´s City G começou a rodar na Metra, de São Bernardo do Campo, SP, com linhas no corredor ABD.

A composição foi produzida na Polônia, tem motor de 360 cv, 18 metros de comprimento e capacidade para 150 passageiros em seu piso baixo. A diferença é que o veículo tem piso baixo totalmente nivelado, sem escadas, tecnologia inédita entre os ônibus que rodam no Brasil.

Os testes realizar-se-ão nos próximos dois anos e fazem parte da estratégia da empresa para sua entrada definitiva no segmento de veículos articulados no Brasil. Ricardo Alouche, diretor de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da MAN Latin America, diz que o sistema BRT - Bus Rapid Transit - ganha cada vez mais força no país e que a montadora quer estar mais preparada para atender a essa crescente demanda.

"Os chassis de ônibus MAN fazem parte de estudos para a nosso ingresso definitivo no segmento, sempre em parceria com encarroçadoras locais. No próximo ano daremos início à comercialização do Volksbus articulado VW 26.330 OTA, chassi produzido sob medida para os corredores e sistemas BRT que serão implantados no Brasil."

Já foram apresentados também os chassis de Volksbus 2012 (vide NT 91) os primeiros ônibus da marca Volkswagen com motores Euro 5, norma que entra em vigor em janeiro do ano que vem. A montadora oferece opções com motores SCR - Redução Catalítica Seletiva, e EGR - Recirculação dos Gases de Exaustão.

A MAN Latin America vem aumentando sua participação fortemente desde sua primeira incursão no mercado de chassis de ônibus, em 1993, quando foi lançado o modelo VW 16.180 CO, ainda à época da Autolatina. No ano passado, a montadora registrou uma participação de 26,5% no mercado de chassis.

Scania e Volvo também vem cheias de novidades como já mostramos. Ambas as montadoras, sempre símbolo de veículos de primeira linha no segmento, dobraram-se ao motor dianteiro, mão única no Brasil para competir no mercado de ônibus urbanos.

Em compensação, no que se refere ao transporte pleno em BRT´s as empresas estão na ponta dos cascos. A Scania com seus articulados e articuladões e a Volvo, cuja configuração permite a montagem de biarticulados de até 28 metros.

Modernidade
As encarroçadoras brasileiras também estão acompanhando par e passo a evolução dos chassis de ônibus aqui produzidos. A maior encarroçadora do país e uma das maiores do mundo, a Marcopolo, apresentou seu mais moderno modelo urbano, o Viale BRT, desenvolvido para utilização nos sistema de transporte coletivo com ônibus de trânsito rápido em corredores exclusivos.

Desenvolvido com conceitos inéditos de design, claramente inspirado nos modernos trens de alta velocidade, o Viale BRT incorpora conceitos que buscam reduzir ao máximo os custos de operação e incrementar a eficiência para o frotista, tanto quanto o conforto e a segurança aos passageiros.

Detalhes que fazem a diferença são notáveis como, por exemplo, o ar condicionado embutido, parte das configurações mundiais de tecnologia de ponta na área. Petras Amaral, gerente de Design da Marcopolo explica: "O Viale BRT integra o que há de mais moderno no encarroçamento de ônibus, como a luz diurna, a sinalização em LED, o pisca elevado, uma altura interna de 2,3 m com climatização homogênea, cortinas de ar nas portas e espaço para displays publicitários".

Ou seja, segundo ele, o carro já vem preparado da encarroçadora para oferecer aos usuários o máximo em conforto e segurança. O Daytime Running Light, por exemplo, é um dispositivo de acendimento automático dos faróis já utilizado há muito tempo nos países desenvolvidos.

"O transporte urbano deixou de ser visto como um problema, para ser encarado como sinônimo de boa gestão para as prefeituras?, analisa Paulo Corso, diretor de Operações Comerciais da Marcopolo. Totalmente diferente das obras em saneamento, o sistema de ônibus além de elevar o nível de qualidade de vida da população também é um outdoor ambulante das realizações do prefeito.

Para 'dominar' esse mercadão, a Marcopolo implanta um novo e agressivo ciclo de investimentos, para o qual reservou R$ 300 milhões, que serão aplicados até 2015 em novos produtos, na elevação dos padrões de competitividade e produtividade de todas as suas fábricas em tecnologia.

José Rubens de la Rosa, diretor-geral da Marcopolo, diz que o programa de investimentos tem por objetivo preparar a empresa e suas operações mundiais para um novo ciclo de crescimento. "A nossa expectativa é que a demanda no Brasil continue aquecida em todos os segmentos nos próximos anos e que ocorra a recuperação de importantes mercados no exterior."

No mercado interno, o transporte público sofreu uma grande transformação: "Desde que passou a ser usado como marca de administração pública, o transporte urbano de passageiros alcançou uma nova dimensão", diz Corso. Por essa razão, hoje, várias cidades com 400 mil, 500 mil habitantes já tem a instalação de sistemas de ônibus de alta capacidade como assunto corrente.

O novo Viale passa a ser produzido a partir de novembro e terá um custo entre R$ 300 mil a R$ 320 mil. O veículo pode ainda ter opcionais como GPS, televisão digital, internet wireless, câmeras de segurança, computador de bordo e sistema de indicação de parada áudio visual e gerenciamento de frota.

São várias opções em dimensões com altura de 3.560 e largura de 2.600. O comprimento em articulados podem chegar a 21 metros para configuração 6x2 e a 23 metros na 8x2. Na versão biarticulado 8x2 chega a 28 metros.

Atualmente, as duas unidades da Marcopolo de Caxias do Sul, Ana Rech e Planalto, estão produzindo mais de 65 unidades/dia, entre rodoviários, urbanos e micro/miniônibus. Já a Ciferal, localizada em Xerém, Rio de Janeiro, atingiu capacidade de produção de 35 unidades/dia. A intenção da encarroçadora este ano é produzir 30,2 mil unidades e atingir receita líquida de R$ 3,25 bilhões.

A Caio Induscar, apresenta como grande novidade o seu carro Millennium III com várias modernizações. Também nos sistemas BRT em implantação, a engenharia da Caio tratou de alinhar o modelo perfeitamente para vestir os modelos de chassis com motor traseiro ou central.

Homologado para todos os tipos de chassis médios e pesados brasileiros, a nova Millennium pode ter comprimento de 12,3 m até 15 metros, tem largura externa de 2,5 m e interna de 2,35 e altura interna de 2,14 metros. São várias versões: sempre com um cadeirante, cobrador e motorista, o modelo tem capacidades de 32 ou 40 passageiros dependendo do chassi.

Entre as novidades estão as luminárias em LED do salão de passageiros, um novo cockpit para o motorista para maior segurança e conforto e uma nova cúpula interna. São três janelas de emergência, piso em alumínio com revestimento em PVC, poltronas com acabamento em vinil e paredes internas e teto em duraplac cor cristal.

Quem também vem fazendo sucesso nos sistemas de grande capacidade é a Neobus, que vem com o Mega BRS Low Entry, um piso baixo. A ideia da engenharia da encarroçadora é atender a crescente demanda por veículos de acessibilidade plena, desde idosos, crianças e portadores de alguma deficiência física.


Corredores
Este carro garante o embarque facilitado por ficar na altura do meio fio, não exigindo qualquer exercício para o passageiro adentrar ao salão de passageiros. Adequado para os corredores exclusivos urbanos e também para linhas alimentadoras, o veículo incorpora design moderno e oferece um carro que serve de cartão de visitas para o frotista urbano.

A Neobus já havia pulado na frente da concorrência com o Mega BRT biarticulado, a maior composição do transporte urbano de passageiros em operação - já roda no sistema de Curitiba e estreia em breve no Rio de Janeiro-, que alcança o comprimento de 28 metros e capacidade para mais de 200 passageiros. O design do Mega BRT lembra o visual dos 'trem-bala' europeus.

O Mega BRT realmente chegou para quebrar paradigmas. A Neobus apresentou um solução inovadora, que além da grande capacidade de passageiros pode incluir até acomodação para bicicletas no seu ultimo reboque. Com amplo espaço interno, tanto na altura (2,10 m) como na largura (2,60 m) e grande área envidraçada, o Mega BRT é o maior ônibus produzido no mundo.

Também com fornada nova está a Comil, de Erechim, RS, que oferece a já consagrada Svelto com piso baixo, o primeiro do gênero desenvolvido pela empresa. Fabricio Tascine, gerente da encarroçadora confirma que a intenção é atender o nível de exigência dos gestores de grandes corredores e sistemas BRT.

Outro veículo modernizado, especialmente quanto ao design, foi o articulado Doppio, que além disso sofreu uma comunização de peças com os irmãos Svelto e Svelto Midi, modelos de menor capacidade.

Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação


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