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Etanol nas paradas



publicado em: 01/11/2010

No primeiro semestre do ano que vem São Paulo terá 50 ônibus movidos a etanol rodando nas linhas da Viação Metropolitana


As concessionárias do transporte rodoviário urbano de passageiros de São Paulo têm uma tarefa e tanto até 2018, ano a partir do qual não serão admitidos veículos movidos a combustíveis fósseis na região. O tamanho desse trabalho pode ser medido com o tamanho da frota que deve ser substituída: 15 mil veículos.

O cumprimento dessa lei, decreto 50.866, de 21/09/2009, vai depender também da viabilidade econômica das "soluções" que se apresentam aos empresários, que precisam de veículos confiáveis e com preços que não onerem em demasiado os custos operacionais e, por tabela, as tarifas.

Opção tem 20 anos
São várias as soluções que vem sendo apresentadas nos últimos anos. São coletivos movidos a metanol, elétricos, diesel de cana e híbridos com biodiesel etc. Cada um desses substitutivos tem seus problemas característicos que envolvem uma série de dificuldades na oferta de tecnologia, razoabilidade de custo, disponibilidade de insumo e confiabilidade.

No exterior, onde há grande variedade de híbridos e até de veículos movidos a hidrogênio, a evolução do uso desse tipo de veículo conta com a consciência de políticos a respeito da importância de se favorecer ao máximo sua introdução, inclusive com subsídios substanciais. Na Alemanha, por exemplo, o governo "entra" com 50% do valor da compra.

Aqui no Brasil, não há dúvidas que o salto de custo para os passageiros será grande, mas com vistas à meta de preservar a saúde da população, a prefeitura vai ajudar a pagar essa conta. O prefeito Gilberto Kassab, que sempre repetiu que a prefeitura não iria dar um único centavo para subsídio do transporte coletivo achou uma solução engenhosa que mantém sua palavra.

Foi criado um fundo de financiamento para compra de veículos limpos com o dinheiro arrecadado por multas advindas de multas lavradas aos proprietários de veículos que não cumpriram a obrigatoriedade de apresentação para o programa de inspeção veicular. Trata-se do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, administrado pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente.

Até agora já estiveram em testes na cidade de São Paulo veículos a gás, híbridos e outros. Efetivamente, porém, quem sai na frente é a Scania que vendeu as primeiras 50 unidades de chassis de ônibus K 270 4x2 movidos a etanol para a Viação Metropolitana.

Wilson Pereira, gerente executivo de Vendas de Ônibus da Scania, comemora a venda e observa: "O ônibus a etanol é realmente a única alternativa viável de veículo sustentável". Para ele, todas as outras opções têm graves problemas de disponibilidade, custo e estágio de desenvolvimento tecnológico.

"Esses pontos devem ser colocados obrigatoriamente na balança ? diz Pereira -, e a nossa alternativa carrega uma confiabilidade construída em 20 anos de testes e 700 ônibus em operação em Estocolmo". Além disso, ele lembra que para produzir um litro de etanol é preciso uma hora de fermentação, enquanto um litro de álcool de cana, por exemplo, demanda 80 horas, assegura Pereira.

"No momento não há melhor escolha", assegura. O chassi K 270 a etanol custa 15% mais que o convencional diesel e produz emissões mínimas. Os 270 cavalos de potência, para Wilson, são mais que suficientes para tracionar carros de 13,2 metros, de 15 m e até articulados e biarticulados, apesar de que a potência possa ir até 300 cv.

Os K 270 4x2, que começam a ser entregues em maio de 2011, têm motor de 9 litros e trabalham com o combustível resultante da mistura de 95% de álcool hidratado e 5% de um aditivo que promove a ignição.

A garantia de sucesso vem de um protocolo assinado entre os parceiros do projeto, que estabelece que o preço do etanol aditivado deve equivaler a 70% do preço do diesel. Tal compromisso é assegurado pela Única - União da Indústria de Cana-de-Açúcar, até junho de 2013.

O presidente da Scania Latin America, Sven Antonsson, também comemora a iniciativa com a confiança de 20 anos de experiência dessa alternativa na Suécia e de mais de um ano rodando em São Paulo, graças ao projeto Best.

Sem apresentar falha, o Scania etanol reduziu em mais de 80% as emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global, em 90% a emissão de material particulado, 62% de óxidos de carbono e não emitiu enxofre no ar.

As 50 primeiras unidades de ônibus movidos a etanol circularão a partir de maio próximo na Viação Metropolitana, empresa que opera 340 carros. Niege Chaves, presidente do Grupo Metropolitana, de Recife, tem grande expectativa a respeito e aposta na alternativa Scania.

"Todas as empresas do nosso grupo já são certificados pela ISO 14.000 e fazemos de tudo para emitir o mínimo possível em poluentes, embora fazendo parte de um ramo econômica que é forçado a queimar grande quantidade de combustível fóssil", diz Niege Chaves, presidente do grupo.

"A preocupação com o meio ambiente faz parte de nossa política e a chegada deste projeto com elevado potencial de redução da emissão de gases causadores do efeito estufa vem de encontro com nosso desafio em transportar pessoas com padrão diferenciado de qualidade e contribuir com a preservação do meioambiente", comenta Niege.

Para ela, a confiança em investir no projeto vem dos resultados obtidos pela opção lá fora e a parceria com parceiros como a Única, Cosan, USP, governo de São Paulo etc. "Nos garantiram um fornecimento de 350 mil litros do produto", diz Niege, que diz que vale a pena investir 15% a mais no produto para ter um veículo que usa a tecnologia do motor diesel, mas não o combustível.

"O consumo do mesmo coletivo a diesel chega a 2,1 km/l, enquanto a versão com diesel de etanol rende apenas 1,0 km/l. Apesar disso, o que vale mesmo é que passaremos a usar um combustível renovável e abundante", explica Niege.

Atualmente os ônibus da capital paulista operam com óleo diesel de S 50 (50 ppm de enxofre e com a adição de 5% de biodiesel), combustível com baixo teor de enxofre que já apresenta ganhos ambientais significativos se comparado ao diesel anterior, de 500 ppm.

Na realidade, a cidade é um grande mosaico de alternativas energéticas: opera 15 mil ônibus movidos a diesel e trólebus (203 elétricos em 137 km de linhas) e testa ônibus híbridos (veja matéria). Em termos de configuração as categorias vão de mini e microônibus até biarticulados.

A renovação de frota também é constante. Do total 9,1 mil ônibus são novos, representando 60% da frota, e os resultados podem ser acompanhados em tempo real pelo Emissômetro, uma ferramenta eletrônica que pode ser acessada pelo site www.sptrans.com.br/sptrans_acao/emissometro.aspx.

Os novos veículos
Os novos chassis de ônibus Scania a etanol são oferecidos em duas versões. O primeiro a surgir foi o K 270 4x2, que têm motor de 9 litros de 270 cavalos de potência e são capazes de reduzir a emissão de CO2 em até 90%. Isso já os coloca em situação de obediência à norma Proconve 7 ou Euro 5, que só entrará em vigor no País em 2012. Além disso o veículo se enquadra na classe EEV - Enhanced Environmentally Friendly Vehicles, norma obrigatória na União Européia. Encarroçados pela Marcopolo, os carros têm capacidade para 63 passageiros, 31 sentados. O 4x2 surgiu em 2007 e o 6x2, de 15 metros, foi apresentado em 2009, desta vez com carroceria Caio Millenium. Outras oito cidades do mundo participam do programa Best: Estocolmo (Suécia), Madri (Espanha), País Basco (Espanha), Roterdam (Holanda), La Spezia (Itália), Somerset (Inglaterra), Nanyang (China) e Dublin (Irlanda).

Os predicados da opção
- Disponibilidade
O etanol é cada dia mais disponível, é abundante e oferece facilidade de distribuição e manuseio, especialmente no Brasil. A alternativa é produzida em série desde 1989.
- Limpeza
O etanol oferece baixos níveis de emissão, é seguro para produzir e manusear e oferece uma redução de até 90% nas emissões de CO2 , em seu ciclo total, desde a produção. Atende aos limites da Euro 5 e EEV. Baixo nível de ruído.
- Economia
O etanol proporciona custos operacionais favoráveis ao longo de sua vida útil. O custo do veículo é apenas 15% superior ao similar a diesel puro.



Redação: Pedro Bartholomeu
Foto(s): Divulgação


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