Eleito como presidente do Sindicato, José Antonio Fernandes Martins, Presidente da Marcopolo S/A, foi taxativo em relação às políticas praticadas atualmente pelo governo brasileiro que desfavorecem a competitividade dos produtos nacionais; principalmente contra os produtos asiáticos.
Martins alertou também para a importância de atenção ao fenômeno da desindustrialização do setor de transformação no Brasil; que deve fechar o ano com um déficit de US$ 6 bilhões, sendo que em 2007, este número era positivo e figurava entre US$ 6 e 7 bilhões. Segundo ele, a desindustrialização é causada por fenômenos como: taxa de juros e cargas tributárias altas; sistema de logística deficiente e câmbio volátil. "Essa desindustrialização dos EUA gerou um desemprego acima de 9% e agora começa a afetar a indústria de transformação no Brasil de maneira bastante preocupante".
No entanto, o que pareceu preocupar mais é a triangulação de produtos em CKD trazidos de indústrias chinesas para montagem em países do MERCOSUL, fazendo com que os produtos entrem no país com imposto zero, ainda que não possuam certificado de origem de 60% de sua produção na região - acabando assim com as chances de competitividade do produto das indústrias brasileiras. O maior desafio para a correção deste problema é o aumento da fiscalização dos produtos nas fronteiras. "O plano Brasil Maior, anunciado pelo Governo Federal aborda fortemente o assunto, autorizando o aumento da quantidade de técnicos disponíveis para fazer inspeção, devendo, provavelmente, contar com a participação do Inmetro. Com esta ação, esperamos que o governo consiga debelar este mal que é tão grande ou maior que a desindustrialização", reforça Martins.
Para Martins a perda esperada para 2012 não será desesperadora, pois o setor estará retornando ao patamar de 2010, que foi um ano recorde para as empresas da área. Porém, os números previstos só valerão "se conseguirmos fazer com que o BNDES aprove o Finame Verde (linha de crédito especial do PSI para os veículos que serão fabricados dentro da norma Euro V), com financiamento de 100% do bem, juros fixos de 7% e prazo de pagamento até 10 anos", diz Martins.
Por outro lado, a economia brasileira não preocupa, apesar da crise externa deflagrada na Europa. O grande grau de confiança no país cresceu muito em função dos fundamentos macro econômicos. "Temos uma reserva cambial de US$ 350 bilhões; um depósito compulsório disponível para uma emergência de R$ 440 bilhões; os juros estão caindo (de 12% caiu para 11%) e deve baixar entre 10,5% a 10% em 2012." Outras circunstâncias que favorecem nossa economia, segundo Martins, são: a estabilidade política; o sistema bancário regulamentado, o fato de o país estar entre os grandes produtores de commodities agrícolas e ser o maior produtor das commodities minerais.
Redação: Felipe Alface
Foto(s): Divulgação
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