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Demorou, mas chegou



publicado em: 01/02/2011

Transportadores paulistas formam uma cooperativa de crédito para fortalecer capacidade de alavancar negócios e facilitar financiamentos


A primeira cooperativa de crédito do transporte de cargas paulista acaba de ser inaugurada e é considerada mais uma conquista da maior base territorial do segmento. Integrante do Sicredi ? Sistema de Cooperativa de Crédito, a nova opção oferece tarifas mais baixas, juros competitivos e assistência nas operações de crédito.

"Faltava aos empresários paulistas uma alternativa ao sistema bancário para alavancar os negócios, através de condições competitivas e produtos dirigidos ao setor", comemora Flávio Benatti, presidente do Fetcesp ? Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de São Paulo. No sistema cooperativista, o associado não é um cliente, mas o dono do negócio.

O presidente do Sicredi Fetcoop SP, Francisco Pelúcio, lembra que o transporte de cargas é um setor carente de incentivos e alternativas e a iniciativa visa a fortalecer a atividade e oferecer uma nova opção de crescimento. "Podemos oferecer produtos com taxas diferenciadas", afirma.

Se a empresa abrir conta na cooperativa e levar a folha de pagamento, por exemplo, seus colaboradores também poderão se tornar associados a ela e utilizar os benefícios. A unidade de atendimento do Sicredi Fetcoop está localizada no Palácio dos Transportes, junto à sede do Fetcesp, NTC&Logística e o Setcesp, e possui a mesma estrutura de uma agência bancária.

Como a essência de uma cooperativa é o fato de a pessoa física ou jurídica ser a dona, o interessado tem que adquirir cota de capital que, para pessoas jurídicas, é definido por faixa de faturamento. Em contrapartida, toda transação financeira, seja uma aplicação, um depósito ou um empréstimo reverte para ele em participação nos resultados, proporcional às operações realizadas na cooperativa.

No final do ano, 45% das sobras devem ficar na cooperativa e 5% vai para o FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador. O destino das sobras ? no cooperativismo não é utilizado a palavra lucros - é definido pela assembléia de associados. "As decisões são tomadas democraticamente com um voto por associado. Ele pode decidir se quer receber em dinheiro ou fortalecer a cooperativa deixando o dinheiro lá", conta Francisco Tavares, superintendente de Desenvolvimento da Central Sicredi.

Outro grande diferencial da nova cooperativa é sua amplitude, abrangendo todo o Estado de São Paulo, onde se concentram as maiores transportadoras. Transportadores de todo o Estado podem abrir uma conta no Sicredi Fetcoop e movimentá-la em qualquer uma das unidades de atendimento ou PACs ? Postos de Atendimento à Cooperativa espalhadas por cerca de 40 munícipios. Quando a cooperativa atingir R$ 25 milhões de patrimônio poderá passar de cooperativa segmentada para de livre adesão, onde qualquer empresa ou pessoa poderá se associar.

Embora o sistema cooperativista venha ganhando cada vez mais espaço no Brasil, sua participação no sistema financeiro não passa de 2%. Para se ter uma ideia, na Alemanha e nos EUA o cooperativismo tem 20% de participação; na Espanha e Portugal chega a 15%. Na Holanda, 80% do crédito rural está nas mãos de cooperativas.


Redação: Solange Hette
Foto(s): Divulgação


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