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A opção certa



publicado em: 01/11/2010

Remanufaturar é transformar o velho em novo, com segurança, confiabilidade e garantia de fábrica com a melhor relação custo/benefício


Na hora em que um componente do veículo dá sinais de que está chegando ao fim de sua vida útil é normal que a dúvida apareça: remanufaturar, recondicionar ou comprar um novo? Para tomar a decisão mais acertada, que não encha a cabeça de dores e o bolso de arrependimentos, é bom que se entenda bem a diferença entre um e outro.

Em essência, segundo a ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas, segundo a norma 15296, a diferença entre a peça ou componente remanufaturado do recondicionado é o processo que sofreu para recuperar as características originais e se essa recuperação foi realizada sob supervisão do fabricante original ou estabelecimentos autorizados por eles.

Na prática, por trás da fabricação de produtos remanufaturados há todo o know how das fabricantes tradicionais dos produtos originais. Especialistas destas empresas provam por a mais b que optar pela remanufatura faz toda a diferença na qualidade, rapidez e durabilidade do produto reciclado.

Claro que, sob a supervisão e aval do fabricante, é natural esperar que todo o processo seja o mais próximo possível do componente original, com chances mínimas de algo dar errado. Daí que os produtos remanufaturados têm a mesma garantia de um produto novo.

No entanto, é essa mesma estrutura e grau de exigência que os torna mais caros que os recondicionados, considerando apenas o valor monetário da peça. Afinal, está-se falando de um processo que acontece dentro da própria fábrica, com equipamentos, máquinas e procedimentos utilizados na fabricação de produtos novos, com peças 100% genuínas e profissionais capacitados.

Custo quilômetro
"Fazer remanufatura com baixa escala realmente torna esse tipo de serviço menos competitivo que o produto retificado", concorda Luis Chain Rajad, gerente executivo de Marketing e Engenharia de Clientes da Cummins Brasil. Daí que conquistar espaço dentro de uma cultura que privilegia o "quanto custa" exige um trabalho persistente.

Programas de remanufatura como o Recon, abreviatura da expressão Remanufactured Concept, da Cummins, tem revertido essa situação. A ênfase em uma manutenção corretiva programada aliada à crescente profissionalização do cliente, gradativamente tem aumentado a procura pelos remanufaturados. "Hoje, o cliente calcula o custo por quilômetro, se interessa pela qualidade, pelo tempo de parada do veículo e se a garantia é ou não nacional", conta.

No Recon, o cliente que participa do programa de remanufatura conta com a avaliação e assistência técnica de sete distribuidores Cummins, 18 filiais espalhadas pelo país, sem contar as estruturas montadas nas concessionárias das montadoras parceiras. "Se o cliente faz a opção por uma retífica e no meio do caminho acontece algum problema, quem garante que ele achará uma retificadora do mesmo padrão?", questiona Chain.

A avaliação visual é o primeiro passo para detectar as condições do casco e saber se poderá ou não ser utilizado como parte do pagamento na troca por um remanufaturado. Dessa forma, o cliente sabe com antecedência o custo da remanufatura, sem cobranças adicionais.

Cascos com sinais de desmontagem; trincas, quebras, soldas que impedem o reaproveitamento das peças; produtos com falta de componentes ou que sofreram ações de fogo; sinais de travamento do virabrequim ou indícios de remarcações irregulares são descartados. O cliente ainda pode adquirir um produto remanufaturado, mas não poderá usar o seu motor usado como parte do pagamento.

Se aceito, o motor é devolvido para a Cummins, onde é desmontado e lavado. Peças sujeitas a desgaste natural, como casquilhos, pistões, buchas, comando e tuchos de válvulas são totalmente substituídas por peças genuínas. E aí é que está um outro diferencial: os componentes obsoletos, fora das especificações da engenharia, são substituídos por peças atualizadas, com as mudanças de engenharia incorporadas.

Os itens mais caros como, blocos de cilindros, bielas, cabeçote de cilindros, bomba injetora, injetores, turbos, bombas de água e óleo e o virabrequim (em no máximo 0.020" ou 0,50mm) são totalmente remanufaturados. "Por isso, o custo consegue ser até 60% mais barato do que o produto novo", explica Chain.

Maior disponibilidade
Um dos fatores que viabiliza economicamente a opção é que quando é feita a avaliação, engloba-se itens que influenciarão no desempenho do motor. Tem lógica. Afinal, se o sistema de injeção estiver com problema ou o cliente utilizar combustível de má qualidade é óbvio que a vida útil do novo motor ficará comprometida. "Nosso distribuidor tem a missão de orientar esse cliente e de olhar tudo que interage com o motor".

Outra vantagem é o menor tempo de veículo parado, uma vez que o tempo médio para entrega de um motor remanufaturado completo é de dois dias ? caso seja programada, a troca pode ocorrer no mesmo dia. Segundo a empresa, um ganho de oito dias em relação aos 10 dias, em média, de um motor recondicionado em oficinas e retíficas.

Manter a originalidade na remanufatura da caixa de transmissão e embreagens da Eaton é imprescindível para não comprometer sensivelmente a vida útil do componente, afirma o gerente de Treinamento e Literatura Técnica, Márcio Gouvêa.

O executivo lembra que o produto recondicionado não segue os processos de fábrica, pode ter problemas com peças não originais, ou "piratas", reaproveitamento de itens que deveriam ser trocados por medida de economia e regulagem inadequada.

Daí que, para que um produto seja considerado remanufaturado, os componentes primários têm que ter, obrigatoriamente, sua origem em um produto usado. Este produto usado deve ser desmontado e seus componentes deverão ser limpos, livres de ferrugem e de corrosão e medidos. Todas as peças faltantes ou defeituosas devem ser substituídas por novas, de forma a garantir a mesma segurança e eficiência de um produto novo. No caso da Ecobox da Eaton, 95% dos componentes de uma caixa remanufaturada são novos, são substituídos.

O cliente compra a transmissão nos distribuidores e pode fazer a instalação imediata. "Isso otimiza o tempo de parada do veículo, que deve ser levado em conta, pois veículo parado também significa grande prejuízo", explica Gouvêa.

A transmissão danificada, que foi dada à base de troca, vai para a fábrica da Eaton em Valinhos, SP. Lá, ela é desmontada, seus componentes internos são inspecionados e trocados em um processo que pode levar de 20 a 30 dias, até ficar novamente disponível em um outro ponto de venda.

Para participar do programa é bem simples. O cliente pode abrir a transmissão e avaliar se é melhor fazer a manutenção da transmissão ou comprar uma Ecobox. "A avaliação custo-benefício é do cliente, mas se o custo da manutenção for superior a 50% do valor de uma Ecobox, recomendamos a troca".

Por exemplo, se entre peças e mão de obra um conserto custar aproximadamente R$ 3 mil, não incluído aí o prejuízo do veículo parado em média de 2 a 3 dias, e a transmissão Ecobox custar cerca de R$ 5,5 mil, sem dúvida vale a pena investir no remanufaturado.

A política de preços da Eaton dita que o componente remanufaturado com casco não deve ultrapassar 60% do custo de uma peça nova. Mesmo que o casco não possa ser aproveitado, a remanufaturada ainda ficará com um preço 25% mais barato que uma transmissão nova.

Na avaliação para a troca, não se considera se as engrenagens estão gastas ou quebradas, uma vez que todas as peças passam por uma análise de qualidade e as substituições necessárias estão dentro do pacote. Os critérios para aceitação do casco incluem basicamente a caixa completa, montada e com drenagens de óleo. A carcaça não pode estar trincada, quebrada ou soldada.

A empresa também não aceita modelos fora dos disponíveis ? o programa Ecobox trabalha com as principais transmissões vendidas na América do Sul. São excluídas do programa também caixas entregues com falta de peças ou com componentes trocados, no estilo "Franskstein", como por exemplo, uma engrenagem de três velocidades substituída por outra de modelo totalmente diferente.

Lançado há apenas um ano, o programa de remanufatura da Arvin Meritor oferece o serviço para a linha de diferenciais de simples e dupla velocidade. A rapidez e facilidade na troca do sistema, redução de itens de estoque nas oficinas e redução de resíduos ambientais são os principais motes na divulgação do serviço de remanufatura.

O custo de uma remanufatura da Arvin fica entre 50 e 70% do preço de um novo, dependendo do modelo. Após o recebimento do produto usado é feita a inspeção do casco e a limpeza inicial que inclui lavagem e jateamento. O produto então é desmontado e todos os seus componentes são lavados e inspeciados individualmente, onde os rejeitados são descartados e os aprovados estocados.

Depois, o produto passa pelo teste de funcionamento, é pintado, feito um oleamento interno, embalado e despachado para o ponto de venda. "O recondicionamento não possui acesso às tecnologias utilizadas no produto original e não possui uma rede de assistência técnica nacional", reforça Emanoel Barroso, analista Técnico da empresa. O recondicionamento tem preço baixo, mas baixa também é a durabilidade do serviço.

Sustentabilidade
Um outro aspecto que vem ganhando força para que a opção escolhida seja a remanufaturada é a sustentabilidade. Os processos de remanufatura são os que promovem o maior reaproveitamento de componentes e que, portanto, mais reduzem o consumo de energia e a emissão de poluentes.

Para se ter uma idéia, a remanufatura de um cabeçote em relação a um novo produz 61% menos gases de efeito estufa, 93% menos consumo de água, 86% menos consumo de energia, 99% consumo de material e geração de lixo e é 82% mais seguro.

"A remanufatura obrigatoriamente torna o fabricante responsável pelo produto usado", diz Chain. Globalmente, a Cummins remanufatura mais de 21 mil toneladas de matéria prima, o que se traduz em uma redução de aproximadamente 90 mil toneladas de gases poluentes por ano.

Todos os itens são descartados de forma correta, de forma a não agredir a natureza. Atualmente, os grandes fabricantes de autopeças possuem programas de remanufatura. "Isso contribui para propagar e disseminar a importância de se pensar em reduzir insumos, como extração de matéria prima, energia elétrica, energia fóssil, energia térmica e emissão de poluentes que prejudicam o meio ambiente", conclui Gouvêa.

Comprovação de origem
Cada peça do produto remanufaturado recebe uma etiqueta contendo o código de identificação serial para efeito de rastreabilidade e garantia. No caso de motores, há de lembrar que o motor tem um número de série atrelado ao veículo, comprovando sua origem. Quando o motor é remanufaturado ganha uma nova numeração, que deverá ser atualizada junto ao Detran ? Departamento de Trânsito local, através de um documento oficial que declare a transferência da numeração.



Redação: Solange Hette
Foto(s): Divulgação


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